Vive la France! Vive les bleus! Ils ont gagné!
Resta-nos louvar o time francês que mereceu, com sobras, conquistar o título de campeão mundial pela primeira vez em sua história futebolística. Ganhou de goleada da Seleção Brasileira - ou, daquele time de amarelo, ou melhor, daquele amontoado atordoado - e poderia ter sido de mais.
Zidane, Desailly e Deschamps comandaram o time azul que atropelou, passou por cima do time amarelo.
Falando em amarelo, que coisa estranha essa do Ronaldo. Teve uma convulsão de meio minuto que extrapolou, estendeu-se e paralisou todo o time pelos 90 minutos da partida.
Por que o Zagallo escalou o Ronaldo mesmo depois da tal convulsão? A pressão de dirigentes e do patrocinador deve ter sido muito grande para simplesmente deixarem de lado a saúde do jogador. Zagallo, no domingo, disse que havia escolhido Edmundo como substituto, mas que o Ronaldo pedira para jogar.
Ontem, Ronaldo disse que não pediu, apenas concordou com sua possível escalação. ‘‘A Pressão! A Pressão!’’, deveria gritar o craque, parodiando os gritos de ‘‘O Horror! O Horror!’’, de Joseph Conrad no ótimo livro ‘‘No Coração das Trevas’’, que deu origem ao filme ‘‘Apocalipse Now’’, de Francis Ford Coppola.
A palavra final deveria ser do médico Lídio Toledo. Mas como confiar num médico que dispensou Juninho, Márcio Santos, Flávio Conceição e Romário, todos com condições de jogar a Copa? Romário, se não fosse dispensado para jogar futivôlei uma semana antes de embarcar para a França e permanecesse em tratamento, estaria curado na segunda rodada da Copa.
Como, depois de tudo, ainda confiar no Lídio Toledo, médico da Seleção? Trata-se de um representante do governo militar, convidado pelo ditador Garrastazu Médice, que permanece na Seleção e acredita que a melhor maneira de se resolver um problema é esconder ou distorcer informações.
Agora, passado o desastre, é preciso esclarecer o que realmente aconteceu. O torcedor brasileiro merece e necessita esta explicação. Depois, é hora de analisar o passado recente da Seleção Brasileira e pensar em grandes e profundas reformulações.
A começar pelo comando da CBF, que vendeu a camisa e os jogadores para a Nike. A patrocinadora manda e desmanda, escolhendo jogos e até jogadores para vestirem a camisa amarela da Seleção - que, por sinal, já foi mais bonita. Em vez de um planejamento adequado, perdemos quatro anos submissos aos compromissos com o patrocinador.
Depois da direção da CBF, também é preciso mudar a comissão técnica, contratando pessoas com métodos de trabalho mais atualizados. Pessoas que não precisem testar 150 jogadores em quatro anos para depois escalar Júnior Baiano na zaga, Leonardo na meia-direita e Bebeto no ataque. Aí, até o Zagallo.
A Seleção Francesa nos goleou dentro e fora de campo, mostrando um exemplo de organização nesta Copa de despedida do século, que não teve uma Seleção Brasileira à altura da festividade.
- LUIZ CLÁUDIO OLIVEIRA é jornalista da Folha em Curitiba

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