Toda vez que o homem realiza uma façanha, em sua corrida espacial, vozes se levantam e repetem aquela cantilena de que chegamos à Lua (e agora a Marte) mas não conseguimos resolver os problemas sociais e os conflitos humanos aqui na velha Terra-mãe. E há aqueles que vêem nessas conquistas uma afronta a Deus, pela ousadia do homem em embrenhar-se no desconhecido, em busca de desvendar os mistérios. Vozes idênticas devem ter ecoado em meados deste milênio, quando destemidos navegadores penetraram mar a dentro vislumbrando encontrar novas terras além da linha do horizonte.
Uma coisa não invalida a outra, e vice-versa. Antes o contrário. Não fosse a intrepidez desses aventureiros - os gênios criadores e esses voluntários astronautas cobaias - e não conheceríamos hoje as comunicações por satélite; não teríamos portanto a tv e a telefonia intercontinentais, a telefonia celular, a internet; a tecnologia da informática não teria se desenvolvido tanto; saberíamos menos sobre resistência de materiais; das inovações no campo da mecânica e da eletrônica; da sintetização de alimentos, e sobre a própria sustentação do homem fora da atmosfera terrestre e em ambiente de gravidade zero. E tantas coisas mais, que se desenvolveram na esteira desses avanços, girando dinheiro, gerando empregos, direta e indiretamente solucionando problemas sociais.
Com toda certeza o mundo seria mais pobre não fossem essas jornadas cosmonáuticas. As fortunas envolvidas nesses projetos não sobem com os foguetes, mas permanecem aqui embaixo, depois de semear atividades lucrativas e proporcionar vida melhor à humanidade.
Mas tudo isto vem provar algo muito mais importante: que o homem não tem limites. Que quando Deus nos fez à sua imagem e semelhança nos fez deuses. Capazes de alcançar novos mundos, navegar por entre galáxias, conhecer seres diferentes. As portas do infinito estão abertas.
Deus construiu o Universo e disse: Sirvam-se!
Tudo já está feito, pronto e acabado. Basta ao homem descobrir.
A chegada do homem à Lua, visível a olho nu e aqui tão próxima, foi um grande passo da humanidade. A chegada de nossos instrumentos a Marte, neste domingo, foi o segundo grande passo. Mais um pouco e lá pousarão os pés do homem.
Porém ainda não será nada, porque não há limitações para este ser feito à imagem e semelhança de Deus. Com toda certeza, no decorrer deste terceiro milênio - que será de grandes descobertas e de grandes revelações - o homem alçará vôos ainda mais altos, inimagináveis.
O grande salto do homem ainda não será navegar com suas caravelas pelos caminhos da Lua, de Marte, das estrelas - e isto ele passará a fazer tão tranquilamente como viajamos hoje pelas estradas com nossos automóveis - e sim transpor as fronteiras que ainda o isolam do portal de mares nunca dantes navegados...
Não precisará o homem de grande esforço, lhe bastará sentir. Porque não há um espaço delimitado que se possa mensurar em grau, tempo e distância; ao contrário, uma grande avenida de percepção, pela qual poderão lhe chegar todas as verdades, que já são e estão. Bastará senti-las, em serenidade mental, como a existência de um poder. Esse poder é a consciência universal, que estava em Buda, em Jesus. Deus no homem, o homem em Deus, ambos apenas um. Assim como uma gota no oceano é o componente individualizado do oceano. A gota é o oceano, o oceano a soma das gotas. Ambos uma só coisa.
Recolher-se ao silêncio - não o representado pela ausência de ruidos, mas o silêncio da mente, o desligamento do mundo exterior, a desconexão do eu dos sentidos - para só ouvir o sussurro da consciência. Esse sussurro vem da Fonte, onde estão todas as coisas. A sintonia com esse Reino, em estado de plena entrega e receptividade, vai abrindo todos os portais: da iluminação, da percepção, da saúde, da prosperidade, da harmonia. Nos levará à Lua, a Marte, às galaxias, aos jardins do Paraíso, sem necessidade de foguetes nem cápsulas espaciais. Será um estado de plena integridade, que não pode ser maculado por resquícios de ira, inveja, ciúme, egoísmo, ressentimento, vaidade espiritual - essa vaidade que se manifesta pela sensação egoísta de que somos boas pessoas, que só praticamos boas obras, mas ao não prejudicar e ao praticar as boas ações há que haver a contrapartida do amor desprendido, a tal ponto que seja imperceptível por nós mesmos, tamanha a sua pureza.
Devemos saber que vivemos não porque o coração pulsa, mas que o coração pulsa porque há vida em nós. E essa vida emana da nossa ligação com a Grande Consciência. Ela é em nós.
A plena integridade é a sintonia com este todo, que é Deus em nós e nós em Deus, e se violamos a um semelhante estamos violando este princípio, violando a nós mesmos, e aí tudo se perde, porque há uma ruptura naquela unidade. E ao contrário, essa unidade mantida nos inundará com todas as graças, porque elas já são e estão. Sem limitações. Deus as criou e disse: Sirvam-se!
Conhecendo esta verdade nos tornaremos livres.

mockup