O homem diante do universo - Ricardo Prochet
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Ricardo Prochet 
Com seu particular senso crítico, lirismo, inteligência e humor, o cientista Albert Einstein escreveu em seu livro Dr. Einstein e o Universo: ...O fato mais incompreensível acerca do mundo é que ele é compreensível... e prosseguiu: ...A coisa mais bela com que nós podemos defrontar é o misterioso... Dobzhansky complementou o pensamento de forma absolutamente poética: ...O homem é a mais misteriosa de todas as experiências. Eis por que a Filosofia, a Ciência e a Arte procuram torná-lo compreensível.
Sendo portanto o mundo compreensível e o ser humano ainda tão misterioso, como podem alguns incautos endossarem a ultrapassada afirmativa de que seria o homem o centro do Universo? Somos sim, algo muito mais belo, a seta ascendente da grande síntese biológica, que brevemente estará finalmente desvendada através do mapeamento do genoma humano, considerado desde já o grande projeto do próximo século.
O homem é o passageiro e, principalmente, o condômino de uma nave finita, em espaço e, sobretudo, em recursos, envolta num tênue manto - a Biosfera - com seus diversificados ecossistemas - indispensáveis, na sua integridade, à própria manutenção da vida.
O livro de Charles Darwin, A origem das Espécies, é um marco importante na história do conhecimento humano. A sua grande contribuição à Ciência que hoje está, definitivamente, incorporada ao equipamento intelectual da civilização ocidental foi mostrar que o homem faz parte da natureza, permitindo, assim, uma melhor compreensão do mesmo e do seu lugar no Universo, pois, somente a evolução constante o levará um dia ao centro espiritual do mesmo.
O reconhecimento do processo evolutivo do homem e a idéia decisiva de que todas as coisas mudam tornou-se uma das pedras angulares em que se baseia o pensamento das pessoas civilizadas.
Do ponto de vista estritamente científico, o conceito de indivíduo tem um sentido muito preciso e complexo, pois ele é um todo integrado, possuidor de um genoma próprio e de uma programação genética única que lhe garantem, em interação com o meio em que vive, uma personalidade exclusiva e uma estrutura organizacional própria.
Dessa forma, desde a sua criação, pela evolução, o homem vem, com uma regularidade impressionante, investindo no seu cérebro e na sua inteligência, numa corrente que se desenvolve de maneira contínua, permanente e exponencial. O homo, desta forma, torna-se a cada instante mais sapiens.
O homem, o último a nascer, a mais fina, a mais complexa, a mais sutil das sucessivas camadas da vida, não é nada menos que uma visão fundamental, porém suficientemente envolto de espessa camada de mistério que o torna tão somente suficiente aos olhos da imensidão do já compreendido Universo.


