O homem da polêmica - Sella é a mão de ferro de Nedson
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sábado, 17 de maio de 2003
Phoenix Finard - Reportagem Local 
O ''homem forte'' do prefeito Nedson Micheletti se chama Wilson Sella. Esse rolandense que chegou à Londrina com 12 anos e trabalhou boa parte da juventude no sítio da família é presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, a CMTU. Nas mãos dele estão as questões mais polêmicas da cidade - tarifa do transporte urbano, ambulantes, mototaxistas, camelódromo, lixo. Alvo constante de críticas vindas de todos os setores da cidade, Sella era um advogado que não entendia nada de transporte coletivo nem gestão do lixo urbano. Diz que está aprendendo. Dono de um temperamento tranquilo, ele consegue manter a calma até no meio das discussões mais acirradas. Foi assim durante meses de negociação tensa com os camelôs das avenidas São Paulo e Leste-Oeste. Sem arredar pé, Sella aos poucos conseguiu convencer e levar todo mundo para o Camelódromo (mesmo tendo que investir dinheiro público no projeto).''Sou uma pessoa relativamente calma e sei o que quero. Não levo as críticas para o lado pessoal'' - garante. No entanto, confessa que tem perdido o sono com frequência: ''Fico angustiado, refletindo'' - conta e admite que às vezes muda de idéia:''Já recuei em várias posições porque descobri que a luz que me foi dada não era a mais forte''. A determinação do presidente da CMTU muitas vezes é vista como intransigência: ''Sei que não vou conseguir tirar todos os ambulantes da rua mas a fiscalização vai dar muito trabalho prá eles'' - ameaça.
A resposta devagar e pausada revela cautela. Sella não fala sobre assuntos que desconhece e não toma decisões sem antes fazer muitas consultas e estudos. No entanto, às vezes o homem pragmático surpreende com traços de ideologia: ''São raras as pessoas que têm a chance que eu tenho, de acompanhar um projeto de construção social. Esse trabalho é uma missão''- afirma.
Casado, 43 anos, pai de três filhos adolescentes, o presidente da CMTU diz que não tem paciência para assistir televisão mas gosta de ler. Nas horas de lazer costuma passear no Lago Igapó - ''é meu lugar favorito da cidade'' e também pratica esportes: ''Nado ou caminho mas não com a mesma frequência de antigamente''. Especialista em direito administrativo, ele manteve o escritório de advocacia e é para lá que pretende voltar quando deixar o cargo. ''Não tenho aspirações nem vocação política. Vou voltar a ser advogado''- planeja.
O Lixo
''Quando eu assumi vi que esse seria meu primeiro desafio. O primeiro lugar que eu visitei como presidente da CMTU foi o lixão. Não estou preocupado em quanto vou coletar, se 50 ou 49 toneladas e quanto vai ser pago por isso mas sim com o conceito de cidade limpa. Recebemos pedidos de todo o Brasil do modelo do nosso contrato de gerenciamento de resíduos sólidos. Hoje o contrato global que nós temos custa menos da metade do que se pagava para a Vega Ambiental. Uma grande conquista é a coleta seletiva que tem índice semelhante ao de países europeus, cerca de 20%. A meta agora é consolidar esse gerenciamento de resíduos sólidos e construir o novo aterro. Quero fazer isso antes de sair da CMTU''.
Ambulantes e artesãos
''A dificuldade deles é acreditar que estou falando a verdade. Tenho que convencê-los que somos parceiros, que a prefeitura quer ajudá-los mas não posso dar garantias prá ninguém. Estou buscando soluções e não paliativos.
O problema dos artesãos é que eles são muito reacionários, conservadores demais. Eles não são bicho-grilo, são comerciantes. Alguns têm outros pontos de venda, têm empregados, vendem coisas fabricadas... e querem que a praça seja deles. Ali só tem 5 artesãos. Por isso que a causa deles é ruim. E eles sabem disso. E por isso eu dei prazo para eles saírem dali. Quanto aos ambulantes, eu entendo que as pessoas têm uma necessidade financeira. Sei que não vamos tirar todo mundo das ruas mas pretendo dar trabalho prá eles, vamos incomodá-los bastante com a fiscalização. Contratamos 31 novos agentes e vou avaliar a conveniência de contratar mais, se for necessário. O que não pode é deixar os ambulantes se fixarem num local, virando camelôs. Isso não. Precisamos criar uma outra cultura, que impeça o ambulante de virar camelô. É nesse aspecto que eu pedi ajuda para a Acil, para os comerciantes do centro, prá que eles denunciem quando o cara montar ponto na frente de uma loja.
Transporte coletivo
''Nós estamos no limite da qualidade do transporte coletivo. A demanda está crescendo e a exigência da qualidade é cada vez maior. Temos um terminal concebido de forma equivocada, num local equivocado. O certo teria sido buscar a descentralização, com bilhetagem eletrônica, o que já era possível há 20 anos. A reforma é paliativa, não vai resolver mas por enquanto não tem outra solução. A questão do monopólio da Grande Londrina não me preocupa. Eu me preocupo com a planilha. Se tiver 1 ou 10 empresas fazendo o transporte, vou tratar a questão do mesmo jeito, a tarifa independe disso. O estudo que nós contratamos através da consultoria vai nos dar a visibilidade que a gente precisa para planejar o transporte. São muitas dúvidas: vamos fazer bilhetagem eletrônica? Vamos manter esse terminal? Vamos fazer por linha, por lote, regional? Esse estudo vai ser estratégico e também vai responder se é possível municipalizar o transporte. O pagamento do quilômetro rodado pode ser uma saída. Seria uma maneira de municipalizar. Agora, a prefeitura contratar motorista, cobrador, comprar ônibus... na lentidão que ela é, não dá, isso só iria gerar mais custo''.
As vans
No mundo todo esse tipo de transporte não deu certo. Não tem nenhum exemplo com êxito. Eles só trabalham em horário de pico. E o déficit? Os ônibus têm que rodar mesmo se estiverem vazios. As vans não. Por isso elas inviabilizam o transporte dos ônibus. Elas quebram o sistema. Elas tiram passageiros dos ônibus nos horários de pico e não oferecem o serviço nos horários de menor movimento. Eu tenho que buscar o equilíbrio do sistema. Hoje o transporte coletivo têm 3 milhões e meio de passageiros por mês a um determinado custo. Se a gente diminuir o número de passageiros, por exemplo, transportar 3 milhões, o custo vai continuar o mesmo mas o lucro vai cair. Eu teria que aumentar o preço da tarifa''.
O Camelódromo
''No segundo andar vende-se menos do que no primeiro mas o camelódromo vende muito mais do que eles vendiam na rua. Acho que ele tem que se consolidar, assumir algumas tarefas do cotidiano de um shopping como marketing, limpeza, promoções... Eles demoraram demais para viabilizar a praça de alimentação. Mas está se consolidando, eles não vão voltar para a rua''.
As praças
''Todo espaço público é ocupado por uma ou outra categoria. Se conseguirmos estimular a população a ocupar as praças, sentar ali todos os dias, curtir os jardins, passear... essas pessoas vão exigir a manutenção das praças. O brasileiro não tem essa cultura de frequentar as praças da cidade. Aqui em Londrina as praças estão sujas porque não estão sendo utilizadas. Por isso ficam abandonadas, acabam sendo ocupadas por viciados. Se as praças estivessem sendo usadas pela população não estavam desse jeito. A CMTU recebe poucas queixas de praças sujas. As queixas que a gente recebe a gente atende''.
Taxistas e mototaxistas
''Esse discurso da cor quem está fazendo é quem está com carro zerinho e não quer mexer nele. O taxista que tem carro com 10 anos não se incomoda que a cor do próximo carro seja prata. Quem está articulando isso é quem tem capital''.


