O guarda como um agente de integração
Um guarda municipal precisa ser um agente de integração e não um opressor, que só usa o conhecimento legal; e deve ser complementar ao sistema educativo. Quem faz esta declaração, em entrevista a este Jornal, é o coronel da reserva Carmelo Zapalá Giufrida, atual diretor de planejamento estratégico da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Consultado a respeito pelo repórter Thiago Nassif, ele se referia à idéia de candidatos a prefeito de Londrina de criar a Guarda Municipal.
Contrariando conceitos, ele declara que a segurança não passa necessáriamente pela adoção de mais policiais, viaturas e armamento, e que é ingênuo pensar-se que uma tal Guarda seria a solução.
Uma sábia observação desse especialista é que um agente de segurança deve ter formação tão aprimorada quanto à de um médico, de um advogado ou engenheiro, já que, como estes, vai lidar com a sociedade.
Um exemplo de Guarda Municipal nos moldes propostos existe em Diadema, no Estado de São Paulo. Ali, esse organismo tem vínculo forte com a Secretaria de Educação. O modelo se afasta da filosofia estritamente policial, que é de cerco a um inimigo, de combate, de fazer prisioneiros, o que ocorreu em decorrência do Governo pós 1969, que priorizava a segurança do Estado.
Embora a Constituição de 1988 tenha mudado esse enfoque, convertendo o militar num protetor do cidadão, a estrutura dos corpos de ensino e a prática não refletem isso ainda ressalta Giufrida.
É fundamentada sua afirmação de que, com relação à segurança pública, dá-se pouca importância à formação do profisisonal dessa área. Referindo-se ao guarda municipal que recebe um treinamento de apenas 90 dias ele alerta que esse agente vai atuar numa área muito sensivel, lidando com correção e complementação de uma educação onde o Estado falhou.
Sua experiência o autoriza a criticar (como faz na entrevista à FOLHA) o sistema prisional, que não repara ninguém, assim como o processo judicial demorado, a não-formação adequada dos policiais, a falta de suficiente equipamento, e assim por diante.
Tratando-se de um agente do sistema de planejamento estratégico nesse campo, tem peso forte a palavra do coronel Carmelo Giufrida de que, dependendo do caso, a força precisa mais corrigir do que punir.





