Luís Eduardo Magalhães, escolhido pelo presidente Fernando Henrique como novo líder do Governo na Câmara, vai resolver os problemas da coordenação política? Será mais eficiente que Benito Gama, o líder que sai? É pouco provável. O governo erra, mais uma vez, ao imaginar que os impasses que atrapalham a fluidez das reformas constitucionais se devem ao estilo de liderança. Ou seja, acha que o estilo duro, quase ditatorial, de Luís Eduardo, será mais eficiente que a postura afável e elegante de Benito. Não é por aí. Os nomes podem ser os melhores, mas pouco conseguirão, caso não se mudem as formas de condução política, a processualística da coordenação.
Para começar, há muito líderes e nenhuma coordenação centralizada. E as funções, que deveriam se repartir entre eles, acabam se superpondo, vazando muita água no funil das vaidades. Além dos líderes do Governo no Senado e na Câmara, as bases governistas contam, ainda, com um ministro de assuntos políticos, Luiz Carlos Santos, com os líderes partidários e com a força de ministros indicados por partidos - Eliseu Padilha e Íris Resende, por exemplo, pelo PMDB - que não abdicam de atividades de coordenação. Como complicador, aparece o ministro Sérgio Motta, que ocupa o lugar principal na moldura. Complicador, sim, porque são poucos aqueles que têm coragem de colocar o guizo no gato. Motta até pode refluir um pouco e falar menos, em atendimento a conselhos (nunca puxão de orelhas, como se diz) de seu amigo e parceiro Fernando Henrique. Mas, como se diz na Bahia, ‘‘o pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto’’. A tagarelice de Serjão é sua própria alma. Se deixar de falar definha.
Na sequência das complicações, aflora a tibieza do próprio presidente. Conversa com um, com outro, acerta uma coisa, ajeita outra, induz os interlocutores a imaginar que tudo vai às mil maravilhas. Na hora H, as coisa dão para trás. As linhas de primeiro e segundo escalões ou fazem que não sabem de nada ou simplesmente descumprem as ordens presidenciais. Resultado: insatisfação geral nas hostes governistas. É exatamente isso que se ouve nos corredores e gabinetes do Congresso. O presidente, dize-se à boca pequena, não é homem de cumprir palavra.
Com líderes dividindo poder, com Serjão falando aos trancos e barrancos, ferindo parlamentares com sua linguagem de botequim, com um presidente que prefere se manter em cima do muro, Luís Eduardo não conseguirá fazer milagres. Ao contrário, se assumir a coordenação política dentro desse mosaico desconjuntado, estará correndo um dos maiores riscos de sua carreira. Será quase impossível estabelecer uma hierarquia de comandos políticos com a atual composição de perfis e interesses. Uns acabarão atropelando outros. E é oportuno lembrar que Luís Eduardo presidiu a Câmara com mão de ferro. Decidia tudo sozinho. Há quem esteja esperando - e não são poucos - para dar o troco. Ou seja, o estilo imperial de presidente da Câmara não se harmoniza com o cargo de líder do Governo. Seu prestígio poderá desmoronar. Caso isso ocorra, ele estará inviabilizando vôos mais altos, com o desastre de uma candidatura a vice-presidente da República, em 98, ou a candidatura presidencial em 2.002.
O PFL, um partido de raposas e profissionais do poder, está fazendo uma jogada arriscada. Se as reformas empacarem, será o maior culpado. O PSDB e o PMDB terão interesse em acusá-lo. Mas se as reformas andarem no ritmo e no modelo que o presidente pretende, Luís Eduardo marcará um belo gol e abrirá janelas para seu futuro. Se o processo de condução política não mudar, as chances de que isso ocorra são remotas. O filho de ACM fará um gol contra.

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