Volta-se a discutir a questão dos bingos neste grande cassino chamado Brasil. Jogatina é sempre um mal, e, no caso dos bingos, um deles é que, inclusive, consomem a renda da aposentadoria de pessoas mais idosas e contamina os pulmões de seus frequentadores, pela intensa e sufocante fumaceira dos fumantes no recinto. Não se pode generalizar que todos os idosos joguem, mas eles são grandes habituês desses lugares e ali arriscam a sorte, ao tempo em que se divertem. Bingos são frequentes em campanhas beneficentes, assim como o carteado e o jogo-do-bicho, este último já incorporado ao folclore brasileiro como o caipirinha e a feijoada dos sábados. Práticas (as desses jogos) que se converteram em contravenções toleradas, porque é quase impossível eliminá-las. Mas o mesmo não se pode dizer da exploração do Governo com as loterias, que são uma pesada carga ''tributária'' (mesmo que opcional) imposta ao povo, que gasta sem aperceber-se, pelo fato de estar fixado no grande prêmio. Esses jogos oficiais descapitalizam as pessoas e as cidades, pela elevada soma diária que é sugada pelo Governo. O retorno em forma de prêmios é pequena em relação ao volume arrecadado. Está escrito atrás dos volantes de aposta que, afora o pagamento do prêmio, 1% vai para o Fundo Nacional da Cultura, 22,4% para a Seguridade Social, 9,6% para o Programa de Crédito Educativo, 3% para o Fundo Penitenciário Nacional e 4,5% para o Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto. Feitos os descontos, não se sabe o montante do bolo que fica em poder do Tesouro, se é que algo fica, mas o povo não tem conhecimento dos números. Diz-se que quando o ganhador não retira o prêmio em 90 dias esse valor reverte para o Programa de Crédito Educativo. Também escasseiam as informações ao público sobre os casos do gênero já acontecidos e se tais repasses realmente ocorreram. Junto a todos os jogos oficiais existem a TV cassino de Sílvio Santos, esporadicamente os bolões do tipo seleção do Faustão, e inúmeros outros como os das promoções (com sorteios) de estabelecimentos comerciais, uma conta embutida nos preços das mercadorias e que acaba sendo paga pelo consumidor. Não se trata de defender os bingos e sim de repensar a sangria sobre a economia popular representada por tanta jogatina oficial. Para todos os tipos de serviços anunciados como beneficiários das loterias, os brasileiros já pagam sua cota em forma dos impostos comuns, e nem se notam que esses jogos do Governo são formas disfarçadas de tributação. Se parte do dinheiro vai e volta, a maioria das cidades acaba não sendo contemplada com esses retornos.

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