Foi um gracejo do presidente Lula, durante a reunião do Grupo dos 20 em Londres, dizer que gostaria de entrar para a história como o governante brasileiro que ''emprestou alguns reais'' ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Apenas uma brincadeira - porque há formas mais dignificantes de entrar para a história - mas no auge do ufanismo depois de ouvir de Barack Obama que ele (Lula) era ''o político mais popular da Terra'', o presidente já nem sabia o que declarar ao ser abordado por jornalistas, e brincou que ''seria chique'' o Brasil fazer um tal aporte.
Dos tempos de lider sindical, quando carregava faixas contra o FMI no centro de São Paulo, a perspectiva agora é outra e ele teve de concordar com os pares - os 20 representantes das nações mais ricas e os das nações emergentes (aqui o Brasil incluído) - no plano do G-20 de injetar US$ 1,1 trilhão no Fundo para aplacar a fúria da crise financeira mundial. Mas não se duvida que, face à boa reserva de moeda forte, Lula desejará realizar essa façanha chique, se convocado.
E ainda mais após o elogio de Obama, que ademais o intitulou ''o cara'', como se diz de alguém que está na crista da onda. De qualquer forma, alguns analistas reagiram à tirada presidencial (a da situação fashion de eventualmente o Brasil dar uma cota ao FMI, ao contrário de recorrer a ele), porque este ''líder mundial'' tem de cuidar primeiro das necessidades brasileiras. Pela razão de que este País já está contribuindo para a atenuação da crise mundial por via de sua participção no abastecimento de produtos alimentares, que é um procedimento natural e espontâneo pela graça (unida ao trabalho, à tecnologia e às condições estratégicas) de o Brasil ser um grande produtor. Esta é uma realidade auspiciosa, que contribui para garantia do superávit da balança comercial, embora um grande contingente de patrícios não desfrute de idêntica abundância de comida em sua mesa. Este é sim o maior desafio para quem ocupa (e vier a ocupar) o trono da Presidência e para a sociedade.
Lula se converteria ''no cara'', também perante a sua gente se desse prioridade à solução das necessidades sociais mais urgentes, como a moradia popular, um atendimento melhor da saúde pública, a adoção de políticas geradoras de empregos e desenvolvimento econômico, o esvaziamento da máquina burocrática e esbanjadora e o combate à corrupção, começando por dar exemplo em seu próprio reduto. Este é o líder, o cara, que a nação ainda espera - dele e dos futuros presidentes.

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