A crise econômica e financeira que atinge as prefeituras de todo o país - notadamente nos municípios mais pobres - tem se transformado num colapso social sem precedentes. A consequência mais imediata desta situação é a proliferação de um exército de marginalizados, cujas perspectivas de melhoria nas condições de vida, a permanecer tal situação, são praticamente nulas. Os custos sociais e financeiros desta realidade acabam se voltando não apenas contra o poder público mas principalmente contra toda a sociedade. A miséria, a fome, a violência, a subnutrição, o desemprego, são os desencontros entre um mundo moderno e tecnologicamente avançado com as primárias formas de crescimento.
Pois é justamente neste contexto que o poder público tem a obrigação de agir ou ao menos provocar discussões de alterar o rumo de administrações perdulárias e ineficientes, cujo sentido tem sido usá-las muito mais como palanques eleitoreiros que propriamente em favor da sociedade.
No Paraná, por exemplo, os pequenos municípios tem sua economia voltada quase que exclusivamente à agricultura. Apesar dos revezes sucessivos, os produtores insistem em manter-se atrelados às culturas tradicionais e que resultam em safras consumidas pelo auto-sustento de suas famílias. Desta forma, não há nenhuma expectativa de melhoria na renda ou condição social, valendo-se ainda a velha teoria econômica do círculo vicioso da pobreza. Por que não uma parceria entre Estado - através da Secretaria da Agricultura -, Município e Sebrae buscando alternativas capazes de romper o elo desta cadeia? Para tanto, cada um faria sua parte.
O Estado seria responsável pela assistência técnica aos produtores; o Munícipio ficaria encarregado da organização da sociedade local e o Sebrae do projeto econômico financeiro.
O que produzir? Um estudo de mercado poderia apontar opções simples, viáveis e adequadas a nossa realidade. Um exemplo: a Argentina, com um mercado consumidor só na grande Buenos Aires estimado em torno de 13 milhões de habitantes, consome banana importada do Equador. Por que não disputar uma ínfima parcela deste mercado? Será a tecnologia equatoriana superior a nossa? Enquanto isso, a região Vale do Ribeira padece duma pobreza secular.
Mas o mercado não se resume apenas à produção de banana nem Buenos Aires é a única opção de venda. Sem dúvida que este setor de frutas foi capaz de transformar áreas do Nordeste brasileiro em verdadeiros oásis, o que poderia ser tentado no sul maravilha. No entanto, o mais importante é conscientizar as classes dirigentes municipais que alguma coisa necessita ser feita. A sociedade está cansada de discursos vazios e inóculos, de planos de governos irrealizáveis, do clientelismo barato que busca o escambo do voto pelo favor imediato. O papel do Sebrae neste universo é fundamental, dadas as características de suas funções e da longa experiência no trato com micros e pequenos empresários. As questões não podem ser debatidas no aspecto meramente político. Esta sim é uma condição necessária, porém não suficiente por si só.
Na verdade, o que sempre faltou neste País foi vontade política. A inflação, esta indústria que beneficiou uma minoria durante décadas, só foi estancada quando houve de fato vontade política por parte de alguns dirigentes. Agora, vive-se no interior do Paraná uma situação de miséria e atraso econômico que precisa ser enfrentada com decisão.
Governar nem sempre é difícil. Basta fazer o óbivio.

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