O global antiamericanismo instalado
O povo brasileiro não tem uma razão específica para protestar contra os Estados Unidos, mas o faz veementemente contra o presidente George Bush, porque, ao destruir países e desestruturar nações pela violência implacável de seus exércitos, ele atinge etnias de muitas partes do mundo que vivem no Brasil. Cada um desses imigrantes e descendentes sente na carne as dores que seus familiares e co-irmãos distantes sofreram e ainda sofrem, especialmente pelo massacre recente sobre o Iraque, comandado pelo belicoso presidente norte-americano. E não apenas isto mas sobretudo porque não obstante a violência interna instalada os brasileiros no geral não são favoráveis às guerras e ao regime intervencionista norte-americano.
O que aconteceu no Brasil irá ocorrer em todos os países do continente que Bush irá visitar por estes dias, porque os sentimentos de revolta são idênticos, e gratuitos com toda a certeza não são. O repúdio começa dentro de seu próprio país, onde 2 de cada 3 patriotas apreciariam, hoje, ver Bush fora de cena. Porque a história desse Presidente, que chegou ao poder na crista de uma fraude eleitoral comandada por seu irmão na Flórida, é pontilhada de calamitosas atitudes e que afrontam convenções internacionais. A ira anti-Bush, no Brasil, manifestou-se por via de minorias, mas aconteceu em todas as grandes cidades brasileiras e reflete a opinião de todos.
Embora não haja um motivo relevante, a não ser algumas questões pontuais, para a reação brasileira ante a presença do visitante e historicamente as relações EUA-Brasil sempre foram amistosas o antiamericanismo é um estado de espírito que move os povos de todo o mundo. Porque a poderosa nação sempre figurou no cenário de confrontos com este ou aquele grupo de nações. Rememore-se a União Soviética, a Europa na última grande guerra, a Coréia, o Vietnã, o Oriente Médio, países centro-americanos, intervenções no Chile de Allende, apoio ao último regime ditatorial brasileiro e tantas outras ingerências, que geraram destruição e mortes.
Quando acontecimentos no mundo ameaçaram a hegemonia norte-americana e acenaram com alguma desestabilização desse poder, os Estados Unidos sempre intervieram. O interesse manifestado agora pelo presidente Bush em visitar os países amigos latino-americanos não ocorre senão pela presença de um líder regional que o incomoda, o presidente venezuelano Hugo Chávez. Dessa viagem presidencial pelo continente resultarão, sem dúvida, benefícios mútuos no caso do Brasil são as perspectivas de bons negócios com os biocombustíveis e haverá ganhos para todos. Mas a soma de todas as intervenções muitas delas sangrentas e os oportunismos da grande nação, cada um dos quais envolvendo determinados povos em algum momento da história, manifesta-se nas reações populares, não apenas contra George Bush mas também contra o permanente e imutável regime intervencionista norte-americano.





