O gasto público com um vereador a mais
Um vereador a mais aumenta os gastos de uma prefeitura em até 18%, em municípios com até 47 mil habitantes, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Por isso a Câmara dos Deputados deveria considerar o que representa em ônus público aprovar o aumento do número de vereadores. Ocorre que os prefeitos são obrigados a contemplar os vereadores com obras e serviços que eles requisitam, ou perderão apoio. No mais dos casos, essas obras conforme a pesquisa não são prioritárias. Se, para o custo das câmaras, cada vereador a mais aumenta a despesa inclusive por causa das assessorias a conta se eleva na continuidade, pela razão apontada.
Esse estudo relata que o fato de gastar mais não indica necessáriamente que esse dinheiro é mal aplicada, mas a tendência é esse gesto ser assistencialista, servindo mais à promoção do vereador e ao seu propósito de reeleger-se. Não é propriamente uma aplicação de dinheiro naquilo que a comunidade mais precisa. Em municípios com população acima de 300 mil o aumento de gasto a mais, com um vereador adicional, é de 16%. Questão como esta do aumento de custeio não é avaliada pelos deputados federais, que insistem em aprovar o aumento do número de colegas nas câmaras muncipais desde que o Tribunal Superior Eleitoral reduziu de 60.276 para 51.748 o número de vereadores. A proposta de emenda constitucional, ora em tramitação, quer a volta do que era.
Os deputados, ao que parece, não fazem conta do que significa aumentar o gasto público, por isso fermentam idéias como esta. As câmaras municipais, de sua vez, aplaudem a medida, porque mais vereadores representam mais vagas e mais espaço para reeleição. É toda uma política de interesse pessoal e não de conveniência comunitária, porque um vereador a mais ou a menos não faz diferença quanto à melhoria da gestão político-administrativa. A verdade é que existem vereadores demais e deputados estaduais e federais demais, e como eles são custosos, o gasto público aumenta. E naturalmente quem paga é o povo, por meio de impostos, taxas e contribuições de toda a ordem.
O que se observa nos políticos é que eles não se preocupam com a economia do povo e esta deveria ser uma de suas funções porque além de custarem muito caro para a nação, pelos seus elevados salários, gastos e mordomias, aprovam medidas que representam custo social ainda maior, como o caso do aumento do número de vereadores. Aparentemente eles vivem num mundo de fantasia, onde tudo é fácil, porque a prodigalidade é grande.





