Na largada da campanha eleitoral, os candidatos à vaga de Fernando Henrique Cardoso não perderam a oportunidade de apresentar os seus diagnósticos para os males da economia que um deles administrará a partir do ano que vem. À exceção do candidato tucano, os presidenciáveis reagiram à crise como se poderia esperar: batendo forte na política econômica de FHC.
Anthony Garotinho (PSB), manteve o estilo direto-ofensivo. Disse que Armínio Fraga, presidente do Banco Central, mostra que é ''incompetente e despreparado''. E emendou: ''Fraga veio para sucatear o País. Depois, voltará para os Estados Unidos''. Quanto às perspectivas para o País que gostaria de administrar nos próximos quatro anos, Garotinho tem a definição na ponta da lingua: ''Alguém tem de ter a coragem de dizer que o Brasil está quebrado''. Está dito.
O candidato do PT, Luis Inácio Lula da Silva, líder isolado nas pesquisas eleitorais até agora, preferiu não se alongar. ''O governo não tem o controle da economia'', resumiu o petista, ontem, no momento em que a equipe de FHC rebolava para obter novo empréstimo do Fundo Monetário Internacional e acalmar o mercado explosivo. Lula disse que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, tem mais poderes no governo federal do que seria aceitável e adiantou que em um eventual governo petista o Ministério da Fazenda perderia importância. Fiel ao seu novo estilo moderado, Lula deu a receita para combater a crise aguda: ''Muito melhor do que recorrer ao FMI seria tentar promover a reforma tributária ainda este ano''.
Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, recorreu a um clichê para definir a crise brasileira. ''É a crônica de uma morte anunciada'', disparou o candidato que mais sobe nas pesquisas, referindo-se ao Plano Real. Ele criticou a ''irresponsável expansão da dívida externa brasileira, que foi de US$ 128 bilhões para US$ 250 bilhões no governo FHC''. E concluiu: ''Lá fora, todo mundo está vendo que o governo passou da conta da irresponsabilidade e do manejo errado da dívida''.
Quanto ao candidato do governo, o tucano José Serra, a reação foi previsível: bico fechado.
Ruth Meira

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