O futuro da Costa Oeste - Tarcísio Vanderlinde
Tarcísio Vanderlinde
O território, um dos objetos de discussão mais antigos da geografia, apresenta nova face, uma nova concepção que leva em conta a interdependência universal dos lugares. Antes se poderia dizer que era exclusivamente o Estado que definia os lugares. Hoje, os territórios se definem a partir de perspectivas transnacionalizadas, ou de novas sinergias, que florescem no mundo globalizado, independente da conceituação histórica do termo. Neste sentido é possível afirmar que território, hoje, é muito mais concebido e analisado como um espaço definido e delimitado por e a partir de interesses e relações de poder.
Vivemos em espaços territoriais onde temos que reinventar todo dia a vida diante da velocidade das demandas que o mundo ao início de novo milênio nos impõe. A Associação dos Geógrafos Brasileiros, em recente editorial em um de seus jornais, informa que o território, categoria a que os geógrafos brasileiros cada vez mais felizmente se dedicam, é mais do que o espaço contido pelas fronteiras cartográfico-jurídico-políticas que configura todo e qualquer Estado. O território é uma categoria densa, posto que carrega a história que carrega. Ela é a materialidade de nossas relações sociais, políticas, econômicas e culturais.
O geógrafo William Rosa Alves, parafraseando Hobsbawn, destaca que nos esforçamos para entender os espaços que encontramos, porque temos a permanente sensação de termos perdido algo. Quando vemos cada gota de nosso suor se esvair pela mão invisível que é alardeada como justa, e perfeita, renovamos a sensação de que precisamos também de algo para nós, e não deixamos de reconhecer que isto significa, cada vez mais algo para todos. Que saibamos ver e aprender fazendo com os coletivos generosos, o que tem nos faltado de dimensão humana para além das compreensões a que temos sido submetidos.
A ciência geográfica segue uma tendência, que se verifica também em outros campos da ciência, ou seja, o constante questionamento de velhos paradigmas e a permanente construção de novos. O território da Costa Oeste do Paraná não foge das novas categorias de análise e se apresenta como espaço preferencial de pesquisas e ações dadas as suas características peculiares. Nos elementos dessa realidade destaca-se o impacto gerado pela expansão história da fronteira agrícola pelo País e, mais recentemente, a construção da Hidrelétrica de Itaipu que, em decorrência da formação da represa, acabou gerando a inédita idéia da Costa Oeste. Neste contexto, quais seriam as perspectivas da Costa Oeste para o século XXI? Algumas respostas parecem que já foram dadas, sendo do conhecimento da população residente neste território. Outras ainda precisam ser construídas, uma vez que as pessoas que aí residem necessitam estar permanentemente rearticulando suas vidas.
Sem ter a pretensão de se transformar no único fórum a debater estas questões, a Unioeste, através do seu curso de Geografia, agendou para setembro deste ano, de 14 a 17, a realização de sua 1ª Expedição Geográfica, onde estarão em debate temas que certamente interessarão parte considerável da comunidade.
Um dos eixos a nortear o debate, tratará justamente das perspectivas da Costa Oeste para o Século XXI. Nessa discussão, além de saber sobre o que já existe e sobre o que se pretende, também pode ser estimulado aquilo que ainda pode e deve ser construído neste território.
Outro eixo tratará do pensamento geográfico e acadêmico já produzido na Costa Oeste. Inevitavelmente, muitos trabalhos e pesquisas serão aqui compartilhados, uma vez que não cabe unicamente à geografia a produção de trabalhos dessa natureza. Um terceiro eixo será dedicado ao espaço que a universidade pública está construindo no território da Costa Oeste. Sua expansão, crescimento qualitativo, projetos e perspectivas serão aí abordados; enfim, o futuro da Costa Oeste está em debate.
- TARCISIO VANDERLINDE é professor universitário em Cascavel





