Entre tantas consequências da pandemia da Covid-19, uma que terá impactos positivos é o fortalecimento do associativismo. Se até há um tempo enfrentávamos um certo descrédito das entidades, associações, sindicatos e afins – em muito gerado pelas burocracias e exigências criadas por legislações que afetam o andamento das atividades associativistas e das profissões regulamentadas no país, propostas que visam a extinção de conselhos, associações, sindicatos, comitês, comissões e grupos, em meio a esse cenário, a situação se reverte de forma drástica, imediatamente no momento em que profissionais são compelidos a buscar orientação, informação confiável e suporte de seus pares.

E quem possui know how suficiente para prestar este tipo de atendimento? Justamente as entidades de classe, que têm em sua essência o fortalecimento dos profissionais, das profissões e a missão de levar conhecimento técnico e apoio aos colegas da mesma área. Como a maioria das crises gera oportunidades, vejo nesta em especial a chance de as entidades fazerem valer sua missão.

Esse é o momento oportuno de promover ainda mais o aperfeiçoamento técnico com parcerias, fomentar a formação profissional de jovens que ingressam em um mercado novo e em constante mutação, e buscar a interlocução com os poderes públicos constituídos com ações objetivas - como a criação de uma pauta de reivindicações, como uma agenda parlamentar. Há também campo fértil para batalhar pela redução da burocracia e pela simplificação de processos que criam atritos com o já complexo exercício das profissões e lutar pela justa remuneração por meio do estabelecimento de critérios referenciais de prática de honorários profissionais.

São elas que servirão como um megafone positivo na orientação de seus pares profissionais, além de um filtro no excesso de informação e das fake news, sempre com base na ciência de suas profissões.

Aos que insistem em questionar o ‘custo do associativismo’, respondo aqui com alguns exemplos de retornos que as anuidades proporcionam às carreiras profissionais e às relações interpessoais, como o acesso sem custo a normas técnicas da ABNT, as centenas de cursos, treinamentos e atividades técnicas tão essenciais ao desenvolvimento de nossas atividades profissionais ofertadas gratuitamente aos profissionais associados de entidades de classe, sejam de forma presencial ou on-line.

Ampliando a discussão, menciono também o acesso a recursos financeiros com valores infinitamente inferiores ao sistema financeiro brasileiro, oportunidades para investimento em equipamentos de trabalho, educação, veículos, assistência médica e odontológica.

Se a pandemia trouxe um péssimo e infeliz cenário, temos como reflexo positivo um novo olhar sobre o associativismo e cabe a nós aproveitar a oportunidade e reiterar a importância de nossos esforços pensando na união profissional e no fortalecimento da coletividade. Vamos então tomar as rédeas desta situação e transformar os ensinamentos que ela oferece em ferramentas para nosso aprimoramento pessoal e profissional.

Claudemir Marcos Prattes

Administrador de empresas, especialista em gestão empresarial e marketing e gerente do Departamento de Relações Institucionais (DRI) do Crea-PR

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