O fim do suspense
O suspense em torno dos nomes que irão disputar as eleições para o governo do Paraná está no fim. Por meses, os eleitores mais atentos acompanharam as negociações - primordiais para o entendimento das coligações, apoiamentos, direcionamento das campanhas e do eventual mandato - mas a interrogação deve perdurar até o final do prazo estipulado pela legislação eleitoral: às 23h59 de hoje.
O atual quadro no Estado reflete a dúvida que paira sobre a composição da chapa do tucano José Serra na disputa pela sucessão de Lula. A oficialização da indicação do nome do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), no último dia 18, pelo próprio partido para a chapa puro-sangue, embolou a situação nacional e a estadual.
É curioso que após tanta cobrança para a definição do vice de Serra, a indicação do partido tenha sido feita sem a prévia consulta ao principal aliado, o DEM. A sugestão tornada pública gerou a óbvia reação dos democratas que cobraram maior participação nas decisões, se negando ao enquadramento que a indicação sugeria e sinalizando pelo possível veto ao nome do indicado.
No Paraná, já há quem classifique o episódio como um balão de en-saio, e por isso, o seu imprevisível desfecho tem tantos reflexos aqui.
Se confirmada a candidatura de Alvaro para a vice-presidência, o também senador paranaense Osmar Dias (PDT) deve abrir mão da candidatura ao governo devido ao acordo fraternal de não disputarem uma eleição em palanques adversários. Hipótese que atinge diretamente o PT, que ficaria sem um candidato forte ao governo que assegurasse espaço para a petista Dilma Rousseff. Ou seja, se pesquisas apontam vantagem do tucano aqui no Paraná, ficaria ainda mais difícil reverter o quadro sem um candidato que fizesse frente ao tucano Beto Richa na disputa pelo governo do Estado.
A única certeza de todo esse quadro é a constatação da pobreza de quadros disponíveis e competitivos para que as eleições, tanto nacional como estadual, se realizem da melhor forma possível, com diversidade de propostas, ideologias e candidatos. Demonstra também a importância de os eleitores acompanharem as tratativas que antecedem as eleições, que são muito mais reveladoras, essencialmente das intenções dos candidatos.





