O fim de uma guerra que dura quase 70 anos
Há alguns meses seria inimaginável um encontro entre o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, com objetivo de construir um processo de paz. Os dois países foram divididos por uma guerra que, apesar de um cessar-fogo em 1953, ainda não acabou. Falta uma declaração de paz. Em um encontro histórico, os dois líderes se reuniram na última semana e concordaram em retirar todas as armas nucleares da Península Coreana. E pretendem assinar um acordo de paz até o fim de 2018.
Também era inimaginável que Kim Jong-un se mostrasse disposto a convidar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para um encontro. Convite feito e aceito, a reunião está marcada para acontecer no final de maio e início de junho. As Coreias querem envolver os Estados Unidos e a China nesse processo de aproximação. Um excelente passo após um 2017 furioso, com ameaças verbais, lançamento de mísseis e testes nucleares.
O conflito entre as Coreias durou de 1950 a 1953 e há famílias que foram divididas após o cessar-fogo que nunca se reencontraram. Outro fruto dessa primeira reunião entre os dois líderes é a preparação de uma reunião entre famílias divididas, marcada para acontecer em agosto.
A imagem de Kim e Moon cruzando de mãos dadas a linha demarcatória na zona desmilitarizada da Península Coreana correu todo o mundo. É a primeira cúpula entre os países em 11 anos. Foi a primeira vez que o líder da ditadura norte-coreana entrou na Coreia do Sul desde a década de 1950.
As duas capitais, Seul e Pyongyang, estão distantes 200 quilômetros, mas há muitos contrastes entre elas. Se no Sul há modernidade, conforto, tecnologia e desenvolvimento, no Norte há uma população isolada, que vive sob um regime dirigido há décadas por uma mesma família e uma série de privações. As diferenças não serão vencidas de maneira fácil e rápida. Por enquanto, a expectativa é que ações de fato aconteçam para o desarmamento e que isso signifique para os dois povos o fim do medo de uma guerra iminente e a possibilidade de famílias separadas poderem viver juntas novamente.





