O fim da era FHC
Luiz Carlos ZukQuando assumiu o seu mandato, o recém-eleito presidente Fernando Henrique Cardoso sintetizou, em uma frase, o que significaria para a história do Brasil o seu governo: o fim da Era Vargas. No entanto, de lá para cá, o que vimos foram medidas baseadas em estruturar no Brasil o chamado Estado-Mínimo, cujos principais instrumentos utilizados para implementá-lo foram as privatizações.
E assim, por determinação do FMI, o governo privatizou quase tudo: siderúrgicas, bancos oficiais, a Companhia Vale do Rio Doce - entre outras. Privatizou as empresas sob o argumento de que os recursos originados seriam imediatamente repassados aos setores mais carentes da vida nacional, ou seja, saúde e educação. Segundo os tecnocratas do governo, estes sim, setores de responsabilidade do Estado.
Não satisfeitos, investiram bilhões de dólares no financiamento de fusões e incorporações de bancos privados, através de um programa ‘‘especial’’ criado pelo Banco Central, o Proer. Neste intervalo de tempo, FHC ainda colocou em prática o seu principal projeto de governo: a reeleição. Várias foram as denúncias de compra de votos de parlamentares no Congresso, envolvendo o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, que já morreu.
Durante este tempo todo, convivemos ainda com uma abertura desenfreada de nossa economia, o que levou à quebradeira generalizada de setores importantes da nossa base industrial.
Através do governo FHC, instituiu-se no Brasil a chamada ‘‘Guerra Fiscal’’, em que os Estados concederam outros bilhões de dólares em incentivos para a atração de montadoras de automóveis.
Não bastasse isso, o governo manteve sua política econômica baseada em altas taxas de juros, o que afetou de forma global toda a cadeia produtiva em nosso País e desencadeou o maior índice de desemprego de toda a nossa história. Com o desemprego recorde, vieram o agravamento dos problemas sociais, como a violência urbana, caracterizada pelo aumento dos sequestros, assaltos a bancos, homicídios etc.
Para se ter uma idéia da gravidade da crise social que vivemos, o último Relatório do Desenvolvimento Humano, feito este ano pela ONU (Organização das Nações Unidas), rebaixou o Brasil para a 79º posição, o que nos coloca atrás de países como Cuba, México, Argentina e Uruguai. Segundo este levantamento, o Brasil ainda é classificado como o país com a pior distribuição de renda do mundo.
Mas, para o governo FHC, tudo isto não importa. O que realmente conforta o presidente é a bajulação dos governos estrangeiros, principalmente do chamado G-7, que o aplaudem toda vez que ele viaja ao exterior. Talvez seja por isso que milhares de pessoas assinem diariamente as listas pedindo a renúncia de FHC. Talvez seja por isso que, em recente pesquisa de opinião, Getúlio Vargas foi lembrado por 24% da população como o presidente mais popular da história do Brasil. Como então querer equiparar Getúlio Vargas a isto tudo que estamos passando hoje?
Certamente, em pouco tempo, FHC será lembrado pelos brasileiros como um dos piores presidentes da nossa história. Será apagado de nossas memórias e constará dos livros apenas como uma mancha negra de nossa passagem rumo à construção do país que Getúlio Vargas idealizou. Um país que detinha o comando do seu próprio desenvolvimento e que respeitava o povo como única e principal medida de seu progresso.
- LUIZ CARLOS ZUK é deputado estadual do PDT no Paraná

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