A notícia divulgada ontem de que a mortalidade pela Aids, que chegou a 2,2 milhões de pessoas por ano no mundo em meados da década passada, caiu para 1,8 milhão de indivíduos em 2010 é animadora. Não significa, no entanto, que os esforços das autoridades do setor de saúde de todo o mundo no combate à proliferação do vírus HIV podem ser diminuídos. Pelo contrário.
A informação foi tornada pública por meio do relatório do Programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids). O mesmo estudo, por outro lado, mostra um dado que é digno de nota e de preocupação. O número de portadores da doença até 2010 atingiu a impressionante marca de 34 milhões. Só naquele ano, surgiram 2,7 milhões de novos casos de contaminação pelo HIV, o que representa 21% a menos do que no auge da pandemia, em 1997.
O valor recorde é uma prova de que os investimentos e políticas de combate à doença ainda têm muito a avançar. É verdade que a explicação do número recorde de portadores passa por um fator positivo: a generalização de tratamentos que prolongam a expectativa de vida dos soropositivos.
O relatório indica também que 2,5 milhões de mortes foram evitadas em países de baixa e média renda desde 1995 por conta do lançamento e distribuição de novas drogas. Uma tendência que se intensificou nos últimos dois anos, mas ainda está longe do alcance ideal.
Em 2009, por exemplo, havia 15 milhões de pessoas precisando de tratamento, mas só 36% tinham acesso. A Unaids informa ainda que o maior acesso a drogas está resultando também em uma menor taxa de contaminações.
O problema é mais grave onde há menos dinheiro e acesso à informação. Até porque a melhor forma de evitar mortes em decorrência da Aids é impedir a contaminação. Para isso, campanhas de incentivo ao uso de preservativo, por exemplo, ainda são essenciais.
Paralelamente, é vital que o investimento em pesquisa em busca de tratamentos mais eficazes e da cura seja incrementado. E tão importante quanto a descoberta de novos coquetéis de medicamentos é a disseminação para que quem mais precisa possa ter acesso. O estudo das Nações Unidas indica, portanto, que a erradicação da doença ainda não passa de remota esperança.

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