O feio e o bonito da imprensa na ótica de Lula
''O que a gente vê de bonito na imprensa brasileira? Não tem''. Palavras do presidente Lula, ao falar das ''notícias feias'' que atrapalham o turismo. As notícias feias - embora ele não as tenha mencionado, e elas são realmente tantas - nada mais estampam senão as misérias sociais, causadas também pelo descaso governamental. São as que revelam a corrupção, em todos os níveis de governo e que deixam investidores externos de sobreaviso. São os assaltos à mão armada e os arrastões que amedrontam e molestam turistas de todas as procedências. São os casos como do irmão do Presidente, de baixo poder de fogo mas influente, justamente por esse estreito laço de família.
As notícias feias são as que falam do superfaturamento de obras públicas. São as que mostram agora o presidente do Senado (do partido aliado ao governo no poder) envolto em denúncias de corrupção. Os cidadãos estão lendo nos jornais e revistas e vendo na televisão e na internet todas essas notícias feias. Tem razão o Presidente ao queixar-se de tanta feiura (se o assunto é Governo). Bonitezas - conforme o linguajar dos simples - existem muitas, e estão retratadas no ambiente natural deste país e que os órgãos governamentais pertinentes não preservam muito; estão na Floresta Amazônica e na Mata Atlântica, depredadas continuamente ante o olhar complacente desse mesmo Governo.
Boniteza existe no anseio puro de milhões de patrícios, embora contemplativos e pouco dispostos a reagir. E se reagissem, mais coisas feias o Presidente iria contabilizar, porque isto certamente caracterizaria, no seu entender, uma ingratidão do povo. Porque é assim que o mandante-mor se imagina, bastando aferir dos seus discursos. O Governo poderia cooperar grandemente para tirar do ar e das páginas dos jornais as notícias feias, bastando dar início ao combate às causas. Esta não seria apenas tarefa governamental mas que teria sucesso se iniciada na esfera do poder público, que dispõe de muito dinheiro e de poder para isso. Porque não haveria maior lobista da causa das ''notícias bonitas'' que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O queixoso mandatário poderia converter-se num poderoso editor de belas manchetes e belos textos se observasse os entornos e tomasse as medidas necessárias, que são de sua incumbência. Mesmo a imprensa mais combativa e às vezes irreverente sabe escrever bonitas notícias, mas tratando-se das coisas dos governantes elas precisam existir em abundância. Reproduzi-las em forma de belos escritos e imagens é uma tarefa que gratificaria os profissionais de imprensa. Isto faria a alegria deles e dos cidadãos. Se o Governo realizar o que lhe compete para fazer o ambiente político, social, econômico e ambiental mais bonito, sobrará pouco lugar para as notícias feias.





