O feijão é nosso
Francisco Antonio Feijó
Inundações no Sul, seca no Nordeste e lá se vai o feijão para o brejo.
A comida de cada dia do brasileiro, desaparecida das gôndolas dos supermercados, já há alguns dias, reaparece agora, com preço duplicado.
Alguns trabalhadores tiveram até a entrega de suas cestas básicas atrasadas, pela falta do feijão, aquele que sozinho, com farinha ou arroz, ainda garante aquele calorzinho no fundo do estômago.
Não bastasse o sumiço de feijão, alguns mais atrevidos anunciam que a entressafra de outros produtos, poderá ocasionar aumentos nos próximos dias, nos preços de vários outros alimentos...
Será que estamos voltando no tempo? Há épocas em que qualquer chuvinha, qualquer calor mais forte, aumentava os preços de tudo.
Onde estão os estoques reguladores? Ou será que a culpa, no caso do feijão é do caruncho, aquele bichinho terrível que com mais os diversos nomes, roe tudo que cai em sua frente.
Estou ficando preocupado!
Quando começa a faltar feijão e o preço médio aumenta em poucos dias, de R$ 1,50 para R$ 3,00, logo estaremos amargando o aumento do açúcar, salgando os preços da carne, do gado e de aves e azedando o do leite e seus derivados.
Todo mundo sabe que a seca e as chuvas atrapalham as safras.
Entretanto, se fizermos um pequeno exercício de memória e rolarmos nosso pensamento para o Sul e o Nordeste, veremos que o feijão não é produzido somente nessas regiões.
Ao que me consta, temos até feijão das águas, ou será que estou enganado?
O que sinto é um cheiro no ar, de que alguns estão tentando elevar os preços dos produtos básicos, aproveitando-se de uma situação difícil, pela qual atravessamos, com os fenômenos climáticos, e com isto, enquanto esses poucos engordam, talvez, por não comer feijão, aqueles que precisam desse alimento, emagrecem ou simplesmente passam fome.
Já estamos ficando carecas de tanto repetir que esse filme é conhecido, já vimos versões iguais, em diferentes épocas.
Quais as soluções? Ou será que não existem?
O Brasil é grande, é um continente e os problemas que aqui existem, estão em todas as partes do mundo.
O problema, felizmente, não é só nosso.
Entretanto sai governo, entra governo, e isto vem se repetindo, sem que encontremos soluções, ou será que não existe o problema?
Será que essas situações são reais ou são montadas, por alguns que têm interesse em que elas existam, para levar vantagem.
Começa a faltar feijão, em seguida falta o arroz, a carne, o leite e seus derivados e quando se percebe, está faltando tudo e os preços subindo...
Estamos pagando um preço muito caro, para manter a moeda estável e é importante que ela continue assim...
A queda da demanda de produtos, a retração do mercado, o custo dos juros, o avanço tecnológico, tudo isto leva ao aumento de desemprego.
Voltamos a insistir, este fenômeno não acontece só no Brasil, o Primeiro Mundo também o enfrenta.
Somos o País do futuro, aqui se produzirá o alimento necessário para abastecer uma grande parte do planeta.
Porque deixar faltar feijão?
Será que não podemos montar um esquema, um planejamento, um estoque regulador razoável, enfrentando a broca e caruncho, ou quem sabe, existem interesses outros que não conhecemos, que teimam em levar vantagem com a crise, aproveitando-se da seca do Nordeste ou das inundações do Sul...
Se o feijão é a comida forte do brasileiro e sua maior fonte de substâncias necessárias ao seu fortalecimento, porque deixar que ele falte e que seu preço seja aumentado.
Será que não se pode fazer nada? Impedir esses aumentos, gerenciar o problema e cortar se for o caso, o mal pela raiz, antes que ele se alastre para outros produtos da cesta básica do brasileiro.
Ou quem sabe vamos ter que importar feijão e passar a comprá-lo, não mais por quilo, mas como se fosse uma fruta por unidade.
Vou ao supermercado, aquele lugar onde as maquininhas remarcadoras já começaram a funcionar dia e noite, e peço ‘‘uma dúzia de feijões’’, ou se meu dinheiro não der, quem sabe, um único feijãozinho, para comer, em um prato, com garfo e faca, cortando e saboreando como se fosse uma coisa rara.
Vamos pensar no assunto!
Vamos ver o que realmente está acontecendo com o feijão, antes que esse mal, se for uma praga, possa ser transmitido para os demais alimentos.
- FRANCISCO ANTONIO FEIJÓ é contabilista e secretário geral da CNPL - Confederação Nacional dos Profissionais Liberais.

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