O fechamento da Chrysler no Paraná
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de setembro de 2001
Rubens Bueno 
Notícias da imprensa nos confirmam aquilo que já havíamos denunciado na Câmara Federal. A Chrysler, o gigante americano da indústria automobilística, vai fechar sua fábrica em Campo Largo, no Paraná.
Parece mais que estranho que uma empresa desse porte, de alto nível de organização, tenha levado a efeito a implantação de uma indústria que, ao fim e ao cabo, mais parece uma alucinada aventura.
Todos esses projetos industriais, ninguém desconhece, são precedidos de densa pesquisa de mercado, de sistema de distribuição de produtos ali fabricados e, no caso do processo modular de produção, das indústrias de componentes que se instalariam ao redor da fábrica e montadora.
Tudo isso, evidentemente, foi feito. Por isso, repetimos, é no mínimo estranho que uma fábrica planejada para construir 18 mil veículos a cada ano nunca tenha ultrapassado os 3,5 mil. E isto ocorreu, vale observar, em prazo inferior a cinco anos, razão maior ainda para que manifestemos nossa estranheza.
De que decorre tudo isso? De nada adiantaria ir buscando culpados ou procurar enxergar uma crise profunda que tenha abalado os alicerces da economia do Estado do Paraná e do Brasil, o que, de fato, não ocorreu.
Por trás disso tudo está essa malfadada guerra fiscal que traz em si embutidas as promessas mais fantasiosas, as perspectivas mais infladas, sem estribo na realidade, mas de que se valem prefeitos e governadores para prometer mundos e fundos e, com isso, garantir todo tipo de benefício à empresa que se pretende instalar em seu Estado, em seu município.
No caso específico da Chrysler, vale observar, somente o pagamento do ICMS adiado já representa quantia superior a R$ 110 milhões, dinheiro que deixou de entrar nos cofres do Estado e, por via de transferência, no do município.
Mas não é só. Os projetos, quase demenciais, falavam em geração de milhares de empregos diretos e indiretos, no aumento da arrecadação estadual e municipal, fazendo com que grande parte da população local se fosse preparando para enfrentar aqueles novos tempos coloridos por essas promessas ilusórias.
A realidade bate à porta de todos. Os cofres públicos continuam vazios, os impostos não serão arrecadados e as centenas e centenas de empregados, de uma hora para outra, são lançados na rua da amargura, sem destino, sem perspectiva.
Aí está mais um ato dessa triste encenação que é a guerra fiscal. Era tempo de a reforma tributária ser levada a sério e definivamente aprovada pelo Congresso. Muitos parlamentares, Estado por Estado, município por município, poderão trazer sua contribuição a esse debate, na certeza que temos de que isso iria inibir, de uma vez por todas, a adoção dessas políticas fiscais suicidas, como a realizada pelo governo do Paraná.
- RUBENS BUENO é deputado federal, presidente do PPS-PR e líder da bancada na Câmara dos Deputados
[email protected]
www.rubensbueno.com.br


