Cercado por cinco lojas de grandes redes de farmácia, o farmacêutico Fabiano Piccolotto Simon, dono da Farmácia Santa Fé, no Bairro Xaxim, em Curitiba, conseguiu se diferenciar de sua concorrência com um trabalho sério e dedicado à comunidade. A farmácia é pequena, ele conhece quase todos seus clientes pelo nome e tem, inclusive, o cadastro com os medicamentos utilizados pela clientela mais assídua.
''Eu resolvi fazer o acompanhamento dos meus clientes. São na maioria pessoas de mais idade que usam mais de um remédio e um dos meus papéis, por exemplo, tem sido verificar se não há interação dos medicamentos cada vez que eles vão ao médico'', conta. Foi o que aconteceu várias vezes com o caminhoneiro aposentado Dorival Collaço da Cruz, de 68 anos, que tem diabetes do tipo 2, hipertensão arterial e arritmia cardíaca.
''Eu já tomei mil tipos de chá, tive cataratas, operei, e tenho que cuidar sempre para não piorar'', diz o aposentado, que diariamente faz caminhadas e vai à farmácia verificar a pressão arterial. ''Ele se cuida muito bem, mas como tem muitos problemas é preciso ficar de olho para ver se o remédio para uma doença não está piorando outra'', diz Simon.
Recentemente, por exemplo, o farmacêutico lhe indicou um remédio para dor que não tivesse o Ácido Acetil Salicílico (AAS), porque este produto provoca aumento da pressão arterial. O próprio farmacêutico já o encaminhou diversas vezes a seus médicos para pedir novas alternativas de medicamentos com menos efeitos colaterais.
A dona de casa Jurema Marcon também agradece a ajuda de Simon. Há três meses começaram a aparecer pequenas manchas vermelhas na pele de seu filho Leandro Luiz, de 13 anos. Ela procurou o farmacêutico pedindo um remédio para alergia, mas Simon recomendou que procurasse um médico, uma vez que as manchas pareciam ser causadas por uma doença que reduz o número de plaquetas no sangue, conhecida como ''púrpura''.
No dia seguinte ela procurou um hematologista que confirmou a doença. Leandro estava com apenas 7 mil plaquetas no sangue, quando o normal é possuir acima de 150 mil plaquetas. ''Foi uma sorte, porque se não tratar, esta doença pode dar até hemorragia cerebral e pulmonar'', conta a mãe, aliviada. Neste caso, Simon também alertou a mãe para que o menino parasse de tomar remédios à base de AAS, uma vez que o produto reduz a viscosidade do sangue e poderia causar mais sangramentos.
''É isso que eu faço na minha farmácia. Acompanho meus pacientes, olho a medicação, se vejo que pode dar problema digo para irem de novo ao médico. Acho que este deve ser o papel do farmacêutico.''

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