O fardo pesado do combustível
Por mais uma vez o consumidor foi obrigado a arcar com o fardo mais pesado de uma alta de preço necessária, em consequência de uma situação internacional. Na semana passada, de um dia para o outro embora os anúncios de elevação já tivessem sido divulgados , o preço do litro de gasolina pulou de uma média de R$ 1,57 em Londrina para até R$ 1,79. A alta prevista, conforme mostrou reportagem da Folha na edição de ontem e também nos dias anteriores, era de 8% a 9% para o consumidor, o que representaria cerca de R$ 0,14 por litro. No entanto, a diferença que está se pagando desde sábado é de até R$ 0,22 por litro. A mesma reportagem informa que, em Curitiba, o consumidor está pagando até R$ 1,82 pelo litro do combustível.
Sabia-se, conforme anunciando pelo governo há cerca de duas semanas, que esta alta viria como reflexo do conflito no Oriente Médio. O anúncio, infelizmente, chegou ao brasileiro poucas semanas depois de outra alta, que por sua vez ocorreu quase no momento em que o governo, com otimismo, prometia à população a possibilidade de combustível mais barato. Nem uma coisa nem outra, porém, se concretizou. O governo prometeu combustível mais barato, e o produto subiu. Pouco depois, já sem estardalhaço e sem pronunciamento oficial, a nova alta anunciada possibilitou aos segmentos que trabalham com o combustível assimilarem estratégias para se adequarem à realidade que viria, de forma a fazer com que o consumidor arcasse com a maior fatia desse ônus.
É o que se percebe nas informações fornecidas à Folha pela diretoria regional do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Paraná, de onde se sabe que a fixação de preço ao consumidor acima do esperado se deve ao repasse feito pelas distribuidoras de valores diferenciados, e desde quinta-feira, quando a alta deveria ocorrer no sábado. Para proceder desta forma, segundo a entidade sindical, as distribuidoras alegaram que as promoções nos preços dos produtos haviam sido canceladas. Hoje a Folha publica, no caderno de Economia, a expectativa que se cria com essa alta, somada à inflação. Seu impacto poderia ser menor não só no bolso do consumidor, mas principalmente na economia do País.
Mas enquanto se permitem manipulações, seja sob o argumento de terem eliminado promoções, ou por qualquer outra desculpa, o peso do preço do combustível continuará atormentando a população e os economistas, inclusive do próprio governo. Cabe, portanto, a este governo, melhor controle da situação.





