O fardo nas costas do cidadão
Matéria publicada na FOLHA de ontem revela que, em 2010, nós brasileiros já pagamos R$ 1 trilhão em impostos, de acordo com registro do Impostômetro - painel instalado na capital paulista que registra, em tempo real, a carga tributária no País.
É como se cada brasileiro, inclusive as crianças, tivesse desembolsado mais de R$ 5 mil nos primeiros dias do ano só para pagar tributos. As cifras são altas, elevadas pelo bom momento econômico nacional - nunca arrecadou-se tanto -, mas nos deixam com a triste certeza de que boa parte desse montante é perdido nos ralos da corrupção e da burocracia.
A cifra de R$ 1 trilhão seria suficiente para suprir o orçamento de 39 estados do porte do Paraná, - que tem aprovado para 2011 pela Assembleia Legislativa o orçamento de R$ 25,7 bilhões - e de 985 municípios iguais a Londrina, que terá orçamento bilionário (R$ 1,01 bilhão) pela primeira vez em 2011. E ainda é preciso dizer que até o fim de 2010 o impostômetro deve registrar uma arrecadação de aproximadamente R$ 1,27 trilhão.
Diante desses números, não podemos deixar de reivindicar a reforma tributária, empurrada sempre para depois pelas 'barrigas' preguiçosas e interesseiras dos nossos políticos. Será que a enrolação continuará com os parlamentares que chegam ao Congresso Federal em 2011? É difícil não responder sim para essa pergunta.
Ao mesmo tempo, temos que nos indignar também com as licitações fraudulentas, as verbas desviadas, as obras superfaturadas - alguém ainda se lembra do Pan do Rio de Janeiro? As Olimpíadas (Rio-2012) e a Copa (2014) estão chegando.
Quem paga mais de R$ 5 mil de impostos nos primeiros 300 dias do ano tem que exigir um retorno digno daqueles que ocupam os cargos eletivos. Eles acabam de prometer - os dois presidenciáveis ainda estão prometendo - mundos e fundos durante a campanha eleitoral.
A verdade é uma só: se não exigirmos cada vez mais - fiscalização, ação e punição -, eternamente carregaremos o fardo dos impostos, o qual, turbinado pela corrupção e pela incompetência, pesa nas nossas costas.





