Seis anos depois e, novamente, o ''fantasma'' da febre aftosa ronda o Paraná. A confirmação de um foco no rebanho bovino do Paraguai, relativamente próximo à fronteira estadual, já colocou em alerta autoridades sanitárias, pecuaristas e empresas exportadoras. Embora o governo descarte a hipótese de incidência da doença internamente, o fato é que o Estado continua vulnerável, principalmente porque a fiscalização na fronteira é falha.
E, neste caso, não se trata apenas de barreiras sanitárias, mas também de blitze policiais para coibir crimes como contrabando, descaminho e tráfico de drogas. Matéria publicada nesta FOLHA em julho alertava para a necessidade de investimentos de cerca de R$ 360 milhões para que o Paraná conseguisse o status de área livre de febre aftosa sem vacinação. Nesse orçamento devem ser incluídos: contratação de pessoal, reestruturação de barreiras sanitárias nas fronteiras e fortalecimento de conselhos municipais de sanidade agropecuária, entre outras ações. Estimativa da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e da Federação da Agricultura do Paraná é que o Estado obtenha o status sanitário da Organização Mundial de Saúde Animal em três anos. A febre aftosa não atinge a população, mas provoca prejuízos porque o rebanho tem que ser sacrificado e as exportações de carne são automaticamente suspensas.
O próprio Departamento de Fiscalização e Sanidade Agropecuária, órgão ligado à Seab, admite a falta de pelo menos 130 agentes em 33 barreiras localizadas nas divisas com São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Paraguai e Argentina. No entanto, a avaliação é que o ''alerta'' da doença no País vizinho acelere a contratação de pessoal e a reestruturação das barreiras.
Portanto, o que se espera efetivamente é celeridade nessas ações até porque os prejuízos provocados pelos focos de aftosa registrados em 2005 foram grandes. Levantamento da Faep mostra que o deficit, até o ano passado, chegou a R$ 4 bilhões. A maior parte das perdas - R$ 1,8 bilhão - foram provocadas devido à queda das exportações. Em período de turbulências na economia global, o Paraná não pode perder divisas devido a problemas sanitários.

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