Uma legislação não-cumprida há quatro anos e meio é a sintomática evidência de que, mesmo que diretamente relacionada à segurança e à vida dos cidadãos, os mecanismos legais instituídos têm pouco valor na ótica dos administradores públicos. Por que se preocupar com os redutores de velocidade instalados em vários pontos das cidades brasileiras inadequadamente, fora dos padrões exigidos pela lei vigente, se tal ótica não prevê a reeducação do motorista, mas a punição ou o arreio para segurar o seu ímpeto de correr com o carro? E isso mesmo com a legislação estabelecendo a reeducação, pois parece mais barato frear a velocidade dos veículos com um quebra-mola do que formar cidadão consciente.
A consequência, de exemplo nada recomendável, é o que o leitor confere na página 7 da edição de hoje. Em Londrina, os redutores tomam conta de algumas ruas, porque se o dono de um estabelecimento comercial acha que tem que ter um quebra-mola em frente de sua loja, escola ou escritório, ele recorre ao vereador conhecido, que ingresso com um requerimento na Câmara fazendo a solicitação. Além de referendar uma prática nada adequada para uma cidade como Londrina, onde o teor da reivindicação popular ao legislativo não deveria contemplar itens de interesses restritos, os vereadores que se valem dessa prática, supondo que conheçam o Código de Trânsito Brasileiro, endossam a ilegalidade. Mas não é somente esta cidade a merecer puxões de orelhas, reconhece-se.
Até por ter como certo que o problema aqui registrado extrapola fronteiras, sugere-se que daqui saia o exemplo de uma postura que respeite a legislação. Que os vereadores, ao requerer redutores de velocidade, atendam necessidades comunitárias, e não interesses de um ou outro. E que nos seus requerimentos respaldem a solicitação com base na lei.
Caso contrário, terá esta população que continuar vivendo numa sociedade onde a lei só vale para poucos e quem não a cumpre fica isento de punição. O poder público peca, não somente por descumprir o Código de Trânsito Brasileiro, mas também por servir de mau exemplo. Não há, assim, como cobrar integridade de todos os seus contribuintes, pois haverá sempre aquela melhor informado que poderá usar das falhas para também errar e permanecer impune, valendo-se de concessões nada dignas.

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