O exemplo de quem faz
Mais que reconhecimento internacional e motivo de prêmios, o trabalho desenvolvido pela fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, serve de exemplo principalmente aos países que padecem da ''fome'' de boas iniciativas e sofrem os reflexos da ''desnutrição'' de ações concretas.
A sanitarista e pediatra não precisou fazer alarde para que medidas simples, mas eficazes, resultassem em vida e saúde para seres condenados à morte pela desnutrição. Aos 75 anos, a heroína da Saúde Pública das Américas, título concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em 2002, morreu durante missão humanitária no Haiti. Ela pretendia transmitir aos religiosos daquele país, cuja capital está sob escombros, as ''receitas'' do remédio capaz de curar a distância entre quem sabe e faz e quem fica na dependência de programas e verbas governamentais. Ações contraindicadas aos interesseiros e dependentes de publicidade e boa remuneração.
O trabalho que dispensa verbas públicas, feito por voluntários com a liderança de quem não precisa se manter em cena para que os resultados se perpetuem, aponta um novo caminho a ser trilhado.
Além das incontáveis vidas salvas, um dos maiores legados de Zilda Arns é o exemplo da brasileira que apostou em uma ideia, buscou parcerias e implementou um projeto sem depender - ou apenas reclamar - do poder público. O exemplo de alguém capaz de dedicar a vida ao bem comum sem reivindicar salário ou benesses como auxílio-moradia, verba de publicidade, de gabinete etc., ou negociar verbas ilícitas para bancar campanhas eleitorais.
Oxalá se o Congresso Nacional, os palácios dos Executivos e de todas as casas legislativas estivessem cheios do mesmo ideal e propósito de simplesmente trabalhar a favor das pessoas.





