O exemplo de Arapongas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 1997
Walmor Maccarini 
A construção daquele formidável pavilhão de exposições de Arapongas, inaugurado agora com a realização da feira da indústria moveleira, é um exemplo do que é capaz a iniciativa privada quando tem uma liderança forte, e resolve fazer. Sem muito discurso e nhê-nhê-nhê. Quando os dorminhocos de plantão (aqueles do grupo de trabalho, da consulta às bases, do vamos examinar melhor, do isto requer estudo mais aprofundado) acordaram do sono letárgico viram a obra pronta e acabada e os convidados chegando para a festa de inauguração. Até o governador de Curitiba teve que vir.
São 22.500 metros quadrados de área construída, em cimento e ferro, amplos e arejados espaços para estandes, recepção e restaurante, pé direito alto, estacionamento pavimentado para 3.000 veículos, áreas verdes, à margem da rodovia para facilitar entrada e escoamento fácil, tudo muito funcional e nada improvisado. Uma obra de 5 milhões e meio de reais, que não saíram de nenhum cofre público mas da cabeça e dos bolsos dos industriais moveleiros de Arapongas.
Elogios à parte para a feira de móveis - a Movelpar-97 - promoção do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas e que recebeu ali cerca de 7.000 pessoas/dia, de várias regiões do país, entre compradores, visitantes-convidados e expositores, mas o enfoque que queremos dar é para a iniciativa de construir aquela estrutura de exposições e eventos, que vai servir para mostras de todos os tipos, e outras promoções, inclusive artísticas e festivas, não só da vizinha cidade (25 quilômetros de Londrina e 90 de Maringá) mas de todas as incluídas nas regiões destas duas cidades-pólo. O pavilhão também está aberto para servir a quem, de qualquer parte do Brasil, queira expor aqui seus produtos ou promover eventos.
A mentalidade dos moveleiros de Arapongas, ao instalar seu parque de exposições (denominado Expoara), é que podem contar com os serviços de apoio de Londrina e Maringá e das cidades intermediárias, cientes de que eles sozinhos não podem abrigar tudo. Com efeito, nestes dias de feira os hotéis das duas maiores cidades ficaram superlotados, o mesmo acontecendo com as compreendidas no eixo. Até Cornélio Procópio, que dista 80 quilômetros da feira, foi requisitado para hospedar. Para não falar do movimento das agências de viagens, restaurantes, lojas, serviços de transportes de ônibus/turismo e táxis, e toda uma cadeia de segmentos beneficiados.
Um pavilhão de exposições adequado, e uma feira bem organizada, a um passe de mágica fazem girar as engrenagens da economia regional!
Anos atrás, João Jabur, então presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina, chegou a elaborar o projeto de três pavilhões anexados, de exposições e eventos (ainda não era um centro de convenções), mas a Prefeitura teria que doar um terreno central e então os nobres edis votaram contra. A idéia morreu no nascedouro, porque os empresários londrinenses não se uniram para comprar uma área e bancar sozinhos a obra. Ademais, havia aqueles que temiam que o empreendimento pudesse dar certo...
Tem gente com freio de mão puxado, e mais: a marcha engatada em ré, para garantir que se o breque falhar o tranco será para traz!...
Quarta-feira, aqui nesta página, a jornalista Bete Fagundes falou o que tinha que falar!
Em Arapongas os empresários resolveram eles mesmos bancar também a parte que seria do poder público, e assim, sem muito carimbo e pareceres técnicos, fincaram as estacas de manhã e à noite promoveram a festa da cumeeira.
Que Londrina e Maringá (sobretudo Londrina, que conheço melhor) não fiquem agora também querendo construir o seu pavilhão. Arapongas já tem um, que serve para todos. Podemos utilizar aquele. Resta às duas cidades-pólo esmerar-se nos serviços, que são reservas de passagens, hotelaria, restaurantes, transporte, lazer e espetáculos, para atender a população das feiras e eventos que lá se realizarem. Restabelece-se, assim, a antiga idéia do Metronor, um grande eixo Maringá-Londrina, hoje podendo ampliar-se até Campo Mourão e Cornélio Procópio. O centro desse núcleo sediaria um só grande aeroporto internacional, uma só grande universidade, um só grande hospital, um só grande instituto de pesquisas, um só grande centro de convenções (este anexado ao pavilhão de Arapongas, que tem espaços para expansão). Tudo que seja macro e de uso coletivo, numa mesma região, deve ser um só, para que não haja diversos, fragmentados, perecendo pelo elefantismo e pela ociosidade.
A próxima exposição Londrina Sem Fronteiras (evento que tem se realizado em locais pequenos e improvisados) agora já sabe onde instalar-se: no Anhembi de Arapongas. Ou então continuar improvisando e passar vergonha!
Hoje o espocar do champanha é para os empresários moveleiros de Arapongas, que concentram em sua cidade o maior conglomerado de indústrias do ramo, no Paraná. Vamos brindar com eles e reforçar doravante a utilidade de seu pavilhão de eventos!


