É estarrecedora a revelação, só agora tornada pública, de que a Assembleia Legislativa do Paraná tem 2.458 funcionários - ou 45,5 para cada um dos 54 deputados. Não se imagina como um só parlamentar necessite de tantos (ditos) servidores, porque mesmo que eles desejassem, não teriam tanto a servir. Ou eles trombam entre si nas salas e corredores ou só assinam o ponto e não aparecem. Estes seriam os denominados ''fantasmas'', que não se sabe quantos são, porque invisíveis.
Surpreende ainda mais que o próprio presidente da Casa, Nelson Justus, diz - conforme este Jornal publicou ontem - que não sabia que eram tantos. O número só foi conhecido por cobrança do Ministério Púlico. Mas, conhecida esta realidade, nem se crê que esse volumoso contigente seja diminuído. Todos os nomes estão publicados no Diário Oficial da Assembleia, uma publicação que só circula no recinto da Casa.
Mas a lista não vem acompanhada da informação sobre a função de cada um, porque a maioria nem teria condição de exercer alguma atividade, até pela insuficiência de espaço físico. As contratações ficam a cargo de cada deputado. Em rápida resposta a perguntas dos jornalistas, Justus disse torcer para que não haja nenhum ''fantasma''. Mas ocorre que não são apenas estes e os ''nepotes'' o problema e sim o numeroso contingente pessoal, com toda a certeza desnecessário em tamanha quantidade. (Nepotismo - o emprego de parentes - origina-se de nepotes, que eram os sobrinhos de papas, portanto favoritos). Cada funcionário representa custo em salário e em material de expediente, se não bastasse o já elevado custo de manutenção de toda a estrutura desse Poder. O que o povo quer - agora que os números são revelados - é que não haja apenas transparência mas que o quadro funcional seja diminuído. Se 90% forem cortados, com toda a certeza não fariam falta, pois ainda sobrariam 246, ou quase 4,5 funcionários para cada parlamentar, número mais que suficiente.
Enquanto isto - e só para mostrar um exemplo - o Estado como um todo esbanja fortunas como esta, mas este Jornal noticiou ontem que o Governo estadual negou verba (entre R$ 1,2 mil a R$ 2 mil por pessoa) para a ida de professores da Universidade Estadual de Londrina ao 12º Encontro de Geógrafos da América Latina que começa hoje em Montevidéu. Alguns acabaram indo por conta própria, pagando o custo. São barbaridades que acontecem no âmbito do poder público e que revoltam a população.

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