O etanol nas mãos de estrangeiros
A economia aberta (não confundir com entreguismo, como sempre sugerem os partidários da economia estatizante) proporciona espaço para concorrência. E a concorrência, em qualquer atividade econômica, principalmente a industrial, beneficia o consumidor, que é maioria. Melhor regulador de preços é a liberdade de escolha, que afasta monstros como monopólio, oligopólio e oligopsônio. Aliás esses prosperam no capitalismo de estado.
Portanto, à primeira vista, é interessante a tendência crescente no setor alcooleiro nacional. O prognóstico é que nos próximos cinco anos, 40% da produção brasileira de etanol estará nas mãos de empresas nacionais e internacionais. Dentro desse percentual talvez até venha a prevalecer a as estrangeiras. Com regras, com critérios e sem maquiagem, isto só leva à concorrência. Salutar concorrência.
A projeção foi apresentada ontem pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) no Congresso Mundial do Etanol, que reúne em Genebra as maiores indústrias de biocombustíveis. A Unica coloca como alerta. Mas a hipótese foi considerada positiva por empresários. O setor sofre uma revolução silenciosa. Após dois anos de uma crise, os produtores de etanol passam por reestruturação. A liderança de aquisições e fusões, porém, não está nas mãos de grupos agrícolas, mas sim de grandes empresas petroleiras do mundo. O que não é bom.
Há, portanto um risco. É que o espaço pode ser ocupado por grandes nomes do setor petrolífero, inclusive a Petrobras. Multinacionais do setor de energia anunciaram que se preparam para investir pesado no setor de etanol. É aqui que mora o perigo. Para elas, o biocombustível é a opção mais realista para complementar o petróleo nos próximos 30 anos e, nessa estratégia, o Brasil é o principal alvo.
Para as multinacionais de energia, o etanol é visto como uma fonte de energia mais acessível que o petróleo no Ártico, as reservas nos países da Opep ou a gasolina da Venezuela, admitiu James Primrose, chefe de estratégia da BP Biocombustíveis, ao repórter Jamil Chade, da AE. Estamos vendo a entrada das multinacionais do petróleo no etanol e isso promoverá uma mudança enorme no setor, disse Alexis Duval, diretor financeiro da francesa Tereos. Se essa mudança garante o abastecimento sem cartelizar o mercado, só o tempo dirá.





