O governo está gastando muito, tem uma péssima gestão das contas públicas e, quando vai ver, já perdeu o controle. Foi o que aconteceu entre fevereiro e meados de março, período em que o chamado déficit primário cresceu de R$ 1,1 bilhão para R$ 4,6 bilhões. No Banco Central há um rombo de R$ 216 milhões, o pior resultado para o mês de março.
  O fato teve pouca ou quase nenhuma repercussão na semana passada porque o assunto é técnico e, além disso, a mídia anda muito preocupada em propagar a candidata à Presidência Dilma Rousseff, a ascensão de Lula como líder mundial. Aliás, a mídia nunca foi tão oficial; a pauta é atrelada ao que se passa no governo e o jornalismo perdeu a força do questionamento.
  Mas o governo tem muito dinheiro para desperdiçar. As notícias sobre gastança desenfreada têm uma sintonia com as notícias sobre aumento da arrecadação. A arrecadação de impostos é uma mina no Brasil. Quanto mais se arrecada mais se gasta. Um verdadeiro abuso, com viagens e inaugurações de obras cuja conclusão são no mínimo discutíveis. O que se passa no SUS por este Brasil afora tem pouco espaço na TV, a não ser quando ocorre algo muito grave.
  O jornal O Estado de São Paulo faz a seguinte colocação sobre o recorde do déficit público. ‘‘Gastos crescentes no início do ano eleitoral, despesas elevadas de juros e o efeito da inflação na dívida fizeram com que as contas públicas fechassem março com o pior desempenho.
  Mesmo com a recuperação da economia, as contas demoraram para reagir porque os gastos crescem em ritmo bem superior ao da arrecadação. E notem que a arrecadação no Brasil é um colosso. Em março, a receita do governo subiu quase 10% em comparação com o mesmo mês no ano passado. Já as despesas, certamente incluindo as constantes viagens do Presidente Lula, cresceram 41%.
  Quando o governo gasta mais do que arrecada (apesar da portentosa arrecadação de impostos), a conta reflete também na inflação. Portanto, não adianta aumentar os juros - como ocorreu na semana passada - para reduzir a demanda, ou seja, para que as pessoas consumam ou invistam menos. Para não reduzir suas despesas o governo quer controlar o modestíssimo gasto do povo.

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