O estímulo para diminuir cultivo do tabaco
É inusitado mas animador o projeto de diversificação das culturas nas áreas hoje produtoras de fumo, no Brasil. Isto significa um estímulo à diminuição do cultivo dessa planta. O programa é do Ministério do Desenvolvimento Agrário e está se desenvolvendo também no Paraná. O objetivo é eliminar do Brasil as lavouras fumageiras, dessa forma cumprindo o propósito do tratado mundial - de que o Brasil é signatário junto de um grande número de países - para reduzir o consumo de tabaco. Haverá disponibilização de verbas para esse projeto.
O plano é inédito e surprende positivamente, porque nunca se adotou uma política visando combater um mal pela raiz como este de desestimular o vício do cigarro pela queda de produção do tabaco já a partir do cultivo. E não com uma proposta de suspensão súbita mas propondo uma variação de culturas que sejam igualmente rentáveis e propiciem ganhos, como a fruticultura, a bovinocultura de leite e hortaliças orgânicas. O fumo é cultivado em pequenas áreas. Irati é o maior produtor do Paraná e desenvolve a atividade há 40 anos, possuindo hoje 150 plantadores de fumo e 18 mil hectares cultivados.
Como a cultura em escala é impossível nessa região, pela topografia do terreno, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná e aquele Ministério vêm incentivando as culturas mencionadas. Com a vantagem de se produzir alimentos e não folhas que levam a um vício prejudicial à saúde. Os financiamentos - que não são grandes no momento - serão repassados pela Emater, o órgão de extensionismo da Secretaria. Outra das razões do programa de diversificação é fugir do uso intensivo de agrotóxicos no cultivo de fumo, o que prejudica inclusive a saúde de filhos pequenos dos fumicultores e que também ajudam na lida. Um mal que tem continuidade no resultado final dessa folha oleosa, que é o consumo do cigarro e outros produtos dessa origem.
O Brasil é o maior fornecedor de tabaco, desde quinze anos atrás, com a perspectiva de um grande faturamento em 2008. Apesar das campanhas mundiais contra o fumo e do fechamento cada vez maior do cerco sobre os espaços para fumar, em todo o mundo, a produção do fumo em folha é rendosa para os produtores. Não é, portanto, tão fácil os governos acabarem com esse cultivo no Brasil. Mas a idéia de limitar o plantio, por meio de um processo inteligente de diversificar culturas, é um fato novo e aspicioso.





