O estilo faz o homem
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de setembro de 2002
Ruth Bolognese 
Qual será o estilo que vai imperar no Palácio Iguaçu nos próximos anos?
José Richa é um homem simples. Foi governador e no Palácio Iguaçu chegou a pedir mangas maduras para se refastelar enquanto dava entrevista para repórteres de Veja. Era capaz de parar num boteco de estrada para comer ovos cozidos ao vinagrete, sem data de validade, que faria o horror de estômagos menos afeitos. José Richa calçou o primeiro sapato aos 10 anos, quebrou o nariz empurrando jeep nos atoleiros das terras roxas do Paraná e seguiu assim pela vida afora. Por tudo isso, escapava das paredes de mármore do Palácio para se refugiar no Interior, onde se sentia às mil maravilhas.
O radialista Alvaro Dias, jovem e bonitão, treinou a voz nos programas populares da rádio Atalaia de Maringá, onde fez sucesso com a narração da rádio novela ''Mansão do Ódio''. Ao contrário de Richa, Álvaro assumiu o Palácio Iguaçu e os ares da metrópole mas continuou derrapando no quesito comportamento. Foi visto, contrariando a etiqueta, depois de almoço importante no salão dos Cachimbos do Palácio Iguaçu, o que levou uma perspicaz convidada a concluir: ''Alvaro Dias refinou-se mas ainda guarda a breguice no fundo d'alma''.
Roberto Requião é filho de família importante e tradicional de Curitiba, origem que ele nunca ostentou para não interferir no contato com a massa menos favorecida dos paranaenses. Sem muita paciência para as ''firulas'' do poder, esse curitibano, quando governador, gostava mesmo de espezinhar os adversários, isto é, qualquer um que ousasse não rir muito das suas piadas.
E então veio o arquiteto Jaime Lerner e sua ''troupe''. São oito anos de viagens internacionais, de conversas onde se pode discorrer horas sobre uma ruazinha de Paris, um restaurante de Nova Iorque, um endereço exclusivo de Madri. Na intimidade do grupo, quem não viaja com frequência, não fala outras línguas ou não sabe o endereço do melhor ''croissant'', fica exposto ao sereno desprezo de seres especiais.
Na perspectiva da mudança de morador, pode-se especular agora sobre o novo estilo do Palácio Iguaçu depois de outubro, dado importantíssimo para aqueles que dependem da ''adaptação'' rápida para eficazmente garantir vaga na cúpula do poder.
O filho de Richa, o Beto, com certeza prefere pratos mais sofisticados do que ovo em beira de estrada.
Alvaro Dias já se distanciou muito do jovem que despedaçava corações só com o timbre da própria voz.
Roberto Requião vem dizendo na TV que aprendeu quase tudo com a experiência do Senado.
Tem Padre Roque e tem Rubens Bueno. Um modernizou o guarda-roupa e o outro é um rapaz do Interior com cabelos grisalhos. É esperar pelo resultado das urnas e acompanhar os bastidores.
RUTH BOLOGNESE é jornalista em Curitiba


