Afora as lágrimas derramadas na cerimônia de diplomação no Tribunal Superior Eleitoral, o líder máximo do Partido dos Trabalhadores se digladia emocionalmente com as entranhas de sua própria agremiação política ao ampliar as concessões e alianças para formação do governo e composição do ministério. Os petistas históricos e mais à esquerda esbravejam desde a coligação com o Partido Liberal e da participação do senador e empresário José Alencar na chapa majoritária.
Agora a tensão tem piorado: os xiitas se escabelam com os tucanos, empresários, pseudo-banqueiros que começam a formar o quebra-cabeças ministerial de Luiz Inácio. Além disto, as idéias dos próceres do novo governo anunciam nuvens plúmbeas sobre os servidores públicos, grande eleitorado de Lula. Devem propor novas fórmulas restritivas de aposentação e novos descontos sobre proventos e pensões já em vigor. Estas medidas foram combatidas a ferro e fogo nos governos Collor e FHC.
Como estas, também foram sempre repudiados os propostos aumentos de alíquotas de Imposto de Renda, os minguados acréscimos no salário mínimo, a continuidade da cobrança da CPMF, bem como seus partidários sempre lutaram por um máximo reajuste para o funcionalismo e para não ser aprovada a Desvinculação das Receitas da União - DRU (que libera 20% da arrecadação federal para livre utilização por parte do governo).
Agora as lideranças do PT clamam pela manutenção de uma taxa de 27,5% do IR, escandalizando inclusive pefelistas, em troca de concessões à instituição do foro privilegiado para julgamento de ilícitos cometidos por governantes, ojeriza máxima dos então opositores de FHC. Na discussão do Orçamento, deixam para depois a fixação do salário mínimo, reavivando um discurso do comprometimento das contas previdenciárias, que era sempre combatido, assim como anunciam o debate caso a caso das reivindicações de servidores. No Supremo Tribunal Federal deve ocorrer o embate ''PT versus PT'' no que diz respeito ao questionamento da emenda constitucional que cria a DRU, e num sem número de outras medidas administrativas tomadas pelo atual governo cujo julgamento ainda não ocorreu.
Mas como a alternância de poder é salutar e sempre quem foi estilingue um dia pode ser vidraça, cuidemo-nos, torcendo para que tudo o que estamos vendo seja somente a busca de um rumo certo para a Nação, sempre focando no que importa: o desenvolvimento, a empregabilidade, a independência econômica e a redução da fome e da miséria que grassam nas terras de Pindorama.
Vilson Antonio Romero é jornalista e auditor fiscal do INSS no Rio Grande do Sul.

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