A semana começa instigante na política. As manchetes da grande imprensa, no domingo, deram o primeiro recado da candidata do governo. Foi o seguinte: ''Dilma promete um Estado forte e avanço social''. ''Nós também'' - reage um leitor desta FOLHA, sugerindo que, ao longo da campanha, a candidata tenha tempo para ser mais explícita e possa esmiuçar como e onde vai agir o seu ''Estado forte''. Afinal, além do horário político, Dilma Rousseff terá todo espaço do mundo nos telejornais, porque a mídia é indisfarçavelmente governista.

O Estado forte de Dilma é uma incógnita. Mas o Estado forte desejado é aquele que solidifique as instituições oficiais - e não as enfraqueça ao sabor de quem está no poder. Que seja forte na estrutura de assistência à saúde, quando ainda temos crianças morrendo nas filas do SUS. Um Estado fortíssimo na Educação - para que os egressos do ensino público possam competir em igualdade com aqueles que tiveram dinheiro para estudar em escolas particulares. Um Estado forte para garantir a segurança aos trabalhadores e suas famílias, e não um Estado que divida o poder com o tráfico.

Há muitas funções e espaço para um Estado forte, para que torne fortes as suas instituições, de forma, por exemplo, que o Judiciário não continue carregando a pecha do dito popular que ''no Brasil, rico não vai preso''. Que o Estado forte de Dilma torne independente, e forte, o Judiciário, para que não continue a reboque do governo. Saúde, Educação, Judiciário, para citar alguns exemplos. Mais? Universidades públicas fortes! Para que seus formandos entrem no mercado com altivez e competência.

Como será o Estado forte de Dilma? Um Estado para esfolar as pessoas com tributação, bitributação e impostos em cascata? Isso nós já temos. Um Estado a serviço do governo? Ou que acentue as desigualdades? Também já existe. Que proteja o lucro fácil e portentoso dos banqueiros em detrimento do empório da esquina? Também estamos vendo a cada balanço. Certamente este é um Estado fraco. Outra questão: a quem Dilma quer fazer forte: o Estado-União ou o Governo? Quando Lula atropela o TCU, que fiscaliza o seu governo, está aniquilando o Estado e impondo um estilo. Enfim, falta clareza para dimensionar o fortalecimento do Estado e os limites do governo. E como fica a sociedade nesses discursos, por enquanto ainda difusos e cifrados, de pré-candidatos e candidatos.

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