O Estado ausente
Num momento em que tanto se discute as dimensões do Estado, seja para firmar o conceito, igualmente perverso, de Estado Mínimo ou para desejar que ele volte a ter presença indutora em todos os níveis da vida nacional, percebe-se ironicamente a sua falência, a despeito da sua dimensão desproporcional ao que produz. Basta ver essas dimensões no caso paranaense quando se constata que num orçamento de R$ 20 bilhões não chega a 15% sua capacidade de investir, tal a dimensão das despesas de custeio.
Quando da mais recente fase de predomínio neoliberal firmou-se o axioma de que eram funções típicas de Estado a sua frente essencialmente social: a saúde, a educação e a segurança. É visível que tanto no caso do Brasil como do Paraná em particular que nenhuma dessas funções é razoavelmente preenchida. Na semana passada a divulgação do Mapa da Violência, com os números do Paraná em chocante contraste com os de São Paulo e do Rio de Janeiro, revelou o fracasso das políticas do setor.
No domingo, dando um fecho nas reportagens sobre a saúde, um texto documental desta FOLHA demonstrou, de forma cabal, a falência do sistema. E se de saúde e segurança não podemos dizer algo que console, não menos chocante é o que se verifica na área da educação como o demonstrou a série de fragilidades revelada logo no início das aulas com estabelecimentos degradados ou em obras e com o caso de Pinhais em que uma unidade de ensino não podia operar porque estava ocupada por despejados de uma invasão em área de proteção ambiental. O pior é que cada área dessas tem uma classe à espera de alguma reivindicação, dos professores aos trabalhadores do sistema de um modo geral, a gratificação prometida a policiais militares e demandas outras que o Estado não tem a mínima condição de atender como se conclui pela análise do setor financeiro feita ontem no Legislativo pelo secretário da Fazenda, Luis Carlos Hauly.
Se não se fizer uma reengenharia do Estado iremos mal. E há esperança de uma saída sempre calcada na vitalidade e nas respostas da nossa economia. Até quando isso será possível é a questão a analisar.





