Se as empresas não são instituições assistenciais, como é costume ouvir, devem ter o patriotismo de não demitir trabalhadores aleatoriamente, como acabam de fazer as indústrias de máquinas e implementos agrícolas. Este foi o setor que mais cresceu nos últimos seis anos, depois do lançamento do programa Moderfrota, mas se o desenvolvimento dos negócios nessa área alcançou a cifra de quase 150% no período, o volume de empregos que ofereceu só alcançou um terço desse porcentual, e nos últimos dois meses essas indústrias fizeram o pior: despediram 4 mil trabalhadores só pela queda da safra agrícola. Uma insensatez, porque este foi um segmento muito beneficiado e não passa por crise. Por conta dessas demissões, a Central Única dos Trabalhadores e a Força Sindical já anunciaram que irão paralisar tais fábricas, em 18 municípios dos Estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. São elas as gigantes Agco, Agrale, Case-New Holland, Fiat Allis, Caterpilar, John Deere, Komatsu, Egan, Max, Imasa e Kleper Weber. Se o Governo arrrocha as empresas com pesados impostos, se cobra elevados encargos sociais sobre a folha de pagamento dos empregados, se mantém uma leonina legislação trabalhista, que tange duramente a classe patronal face à ''indústria das indenizações'', a empresa não pode, também ela, despedir trabalhadores ao mínimo sopro de uma diminuição de colheitas, no caso motivada pela seca. Um empregado sem trabalho não tem outra opção e é, dessa forma, lançado na ''rua da amargura''. O Brasil melhor, que a própria classe empresarial deseja, deve conduzi-la a momentos de reflexão antes de medidas radicais como esta de simplesmente tirar o ganho de chefes de família, sem dar-lhes opção. Responsáveis pelo alto volume de produção, pela sustentação de empregos, pelo recolhimento de impostos ao Tesouro e pelas vendas externas, as empresas têm, da mesma forma, um compromisso com a nação. Tratando-se da produção rural brasileira, em contínua expansão territorial e em produtividade, as crises eventuais no setor são temporárias e sempre recuperáveis. Demitir sem razão extrema, como ocorreu, é um ato anti-Brasil, porque se a pátria depende das empresas, grandes e pequenas, também elas se valem da situação de bem-estar nacional para evoluir em seus negócios. Tão elevado número de demissões provoca enorme prejuízo à causa do emprego e à economia e tira a autoridade desses capitães de empresas para manifestar-se sobre questões de políticas públicas e mesmo sobre a violência contra o patrimônio, uma das razões do desemprego. Ao invés de aproveitar a oportunidade e proclamar que, diante de um momento adverso no setor rural, como agora, manterão os empregos, tais indústrias preferem granjear antipatias populares, incluindo a própria freguesia. Há outros caminhos menos perversos para enfrentar ventos contrários sazonais, um deles diminuir jornadas de trabalho, enxugar gastos operacionais, mas não ferir a parte que dói na carne, e esta é a do trabalhador demitido. A classe empresarial brasileira não pode perder moral, ou perderá liderança e poder político, enfraquecendo-se para os momentos decisórios da vida nacional, quando costuma fazer críticas ao Governo e busca socorro. É preciso trazer de volta esses demitidos, ou tais empresas carregarão o ônus de haverem contribuído para o agravamento dos problemas brasileiros, quando deveriam, ao contrário, serem agentes de recuperação da difícil situação sócio-econômica que o Brasil atravessa.

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