O esforço coletivo para a recuperação econômica e dos negócios no Brasil
Números da Goldman Sachs são, sem dúvida, uma provocação para avaliarmos o que queremos no futuro
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quinta-feira, 27 de junho de 2019
Números da Goldman Sachs são, sem dúvida, uma provocação para avaliarmos o que queremos no futuro
Espaço Aberto 
O Brasil se encaminha para fechar um período de 40 anos com duas décadas perdidas. Apesar de ainda termos de contabilizar o ano de 2019 e de 2020, mas já com base na expectativa dos economistas, não está difícil de se esperar que teremos mais uma década decepcionante, com um crescimento pífio, ao redor de 9%, praticamente metade do que crescemos na década de 80, conhecida como a década perdida, quando o crescimento foi um pouco superior a 18%.
Esta constatação foi divulgada num recente estudo publicado pela Goldman Sachs (a mesma que criou o termo Brics, em 2001) chamado “Brazil: Two Lost Decades in Forty Years – Could it lose half a century?”, em que compararam o crescimento do PIB no Brasil em três períodos de 40 anos consecutivos (1900–1940, 1940-1980 e 1980–2020).
Sabemos que em um período tão longo, e em momentos históricos tão distintos, não é tão simples utilizar o PIB como métrica de avaliação de desenvolvimento econômico, mas estes resultados são, sem dúvida, uma provocação para avaliarmos o que queremos do Brasil no futuro.
Entre 1900 e 1940, o PIB brasileiro cresceu algo em torno de 461%. Já entre 1940 e 1980, o crescimento foi ainda maior e superou 1.436%. Estamos próximos de fechar o terceiro período de 40 anos, de 1980 a 2020, quando não devemos chegar a 140% de crescimento do PIB, ainda tendo na última década deste período (2010-2020) um desempenho que foi a metade do resultado da década de 80, considerada historicamente como a década perdida no Brasil.
Não que eu concorde plenamente com a comparação simplista do PIB entre os períodos apontados no estudo e, aliás, é preciso fazer justiça e mencionar que os autores também fazem várias ressalvas a este conceito, mas é difícil ficar indiferente às constatações divulgadas, especialmente em se tratando do Brasil, que é o país onde vivemos e que queremos deixar do melhor jeito possível para nossos filhos e netos.
Já está mais do que na hora da sociedade brasileira se mobilizar para virarmos a mesa e fazermos as coisas mudarem de fato. Entendo que as mudanças já começaram com o combate à corrupção que vimos nos últimos anos e precisamos apoiar para que prossiga. Precisamos agora pressionar o Congresso para aprovar a nova Previdência (notem que já mudei e não a chamei propositalmente de reforma da Previdência). Não que a nova Previdência sozinha vá resolver todos os problemas e gargalos do País. Mas, sem ela, não conseguiremos sequer sobreviver economicamente em pouco tempo. Precisamos nos mobilizar e esclarecer às pessoas ao nosso redor que, eventualmente, ainda não estejam convencidas da necessidade da aprovação da nova Previdência, e garantir que a maioria da população pressione o Congresso para se aprovar uma Previdência viável para o Brasil.
Aprovada a nova Previdência, partiremos para novos aperfeiçoamentos para garantir a segurança jurídica e viabilidade econômica de se investir no Brasil. Entre eles, podemos mencionar a reforma tributária, que também é urgente, a reforma política, a redução do Estado, entre tantas outras ações que podemos discutir para buscar a melhoria do ambiente de negócios no Brasil.
Eu já comecei a minha parte. Além de ser um otimista contumaz com o futuro do Brasil, tenho procurado esclarecer às pessoas ao meu redor da importância da aprovação da nova Previdência para garantirmos a viabilidade do País no futuro próximo e de que ela será um grande passo para que a recuperação econômica aconteça de fato, além de ser um marco importante para as demais mudanças que precisaremos promover para que o Brasil se torne realmente um país atrativo ao mundo dos negócios.
JORGE SUKARIE é vice-presidente do conselho da Abes (Associação Brasileira das Empresas de Software)


