O escândalo da queda de leitos no SUS
A perda de 34 mil leitos de internação no SUS (Sistema Único de Saúde) nos últimos oito anos no País, conforme divulgou nesta semana o Conselho Federal de Medicina com dados apurados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) é um escândalo, ainda que a situação não surpreenda. E como tal, deve ser tratado com a urgência que o caso merece. No Brasil, a reputação do SUS é péssima, a despeito de o sistema em si ser apontado no conceito como um dos mais eficientes em regulação do sistema público de saúde. A falta de médicos e de leitos, pacientes atendidos mal atendidos em macas acumuladas nos corredores de hospitais e equipamentos sucateados são o cenário que vem à cabeça de qualquer um que já usou, usa ou ainda vai usar a rede pública de assistência à saúde.
Segundo os dados divulgados pelo CFM, a cada dia cerca de 12 leitos de internação, que são aqueles destinados a quem precisa permanecer em um hospital por mais de 24 horas, deixa de atender pacientes pelo SUS em todo o País. Só nos últimos dois anos, mais de oito mil unidades dessa natureza foram desativadas. O estudo aponta que o Paraná perdeu 1.621 leitos de 2010 para 2018, caindo de 20.903 há oito anos para 19.282, o que representa uma redução de 7,75%. Em contrapartida, também conforme o levantamento do Conselho Federal de Medicina, aumentou o número de leitos não atendidos pelo SUS (particulares e de convênios) no País, passando de de 123.865 em 2010 para 135.558 em 2018. O curioso é que no Paraná esse tipo de atendimento caiu 0,8% no mesmo período de 8.033 para 7.968.
As razões para a queda no número de leitos de internação no SUS são velhas conhecidas, e que refletem diretamente aquele cenário caótico descrito acima. O conselheiro do CFM no Estado, Donizetti Dimer Giamberardino Filho, disse à FOLHA que a situação reflete a redução do investimento em saúde, em seu custeio e na assistência, entre outros fatores. O que ele considera um subfinanciamento na saúde pública inviabiliza qualquer mudança de perspectiva capaz de gerar novas estruturas. O presidente do Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná, Alberto Toshio Oba, reforça essa condição ao diagnosticar que a redução de leitos é apenas um sintoma do grave estado da saúde pública nacional. As redes hospitalares privadas e filantrópicas não se sentem atraídas a atender pacientes pelo SUS, pela baixa remuneração em uma ponta e os altos custos médicos na outra. É uma conta que não fecha. Para Oba, o SUS seria de fato eficiente se investisse na prevenção e no atendimento básico, desafogando assim os prontos socorros.
Em ano eleitoral, o momento é mais do que oportuno para que os eleitores fiscalizem nos portais da transparência, nas agências que fazem o acompanhamento das fake news em redes sociais e nos próprios programas de governos alardeados pelos candidatos o quanto a saúde pública é tratada de fato como prioridade e não apenas mera retórica alimentadora de votos.





