O ensino introduzindo novas disciplinas
Se o ensino é melhorado, desencadeia um processo de melhor qualificação também dos que serão educadores amanhã e que por sua vez produzirão outros tantos iguais, formando uma corrente virtuosa que resultará numa humanidade mais consciente e responsável. Ensinar filosofia e sociologia é uma introdução recente na classe escolar dos jovens e está despertando neles uma reação positiva, conforme reportagem de anteontem de Mariana Guerin, neste Jornal.
Estudantes da faixa dos 15 anos para cima declaram que estudar essas disciplinas abre-lhes uma nova percepção das coisas do mundo e do indivíduo. Pelos depoimentos ouvidos, eles passaram a pensar de modo diferente, com a possibilidade de aprofundar assuntos, o que não acontece com as demais matérias. Como efeito, conforme algumas das definições da filosofia, ela coloca o indivíduo acima dos acidentes da vida, proporciona-lhes outra concepção sobre a paixão desordenada pelas riquezas e sobre preconceitos e opiniões do público, ocupando-se do estudo de todas as coisas e das relações entre si.
A filosofia sublima a confiança no progresso, na razão e na liberdade de pensamentos e também se foca no universo e na cosmovisão. São temas que fazem os jovens incursionarem por algo que transcende o ensino regular tradicional. Este, sabidamente, tem pontos de discutível serventia para a vida futura e por isso desinteressa ao aluno que não tenha uma propensão para determinada disciplina ou fuja de sua vocação. E a sociologia estuda as questões político-sociais, sob os aspectos moral, jurídico e socioeconômico, das transformações da humanidade e dos procedimentos sociais. Sua abrangência é vasta no campo das relações humanas, por isso de interesse de quem é banhado por esses ensinamentos, que possibilitam amplas e valiosas discussões. Pela razão de que trata das coisas do indivíduo e, portanto, interessa a todos. É um aprendizado sobre a realidade. Aulas de arte tornaram-se obrigatórias no ensino fundamental em 1996, e há dois anos passou-se também a ensinar música.
Os estudantes aplaudem essas coisas novas e certamente irão exigir mais e mais, como a introdução de outras disciplinas nunca antes imaginadas para a faixa jovem. Porque dentro e fora da escola há uma busca por respostas que ainda não foram dadas e que inquietam as pessoas.
Essa adição das disciplinas de filosofia, sociologia, musicalização e artes em geral é apenas um começo daquilo que, muito provavelmente, se converta numa reviravolta na questão do conteúdo e das metodologias da educação de crianças, adolescentes e jovens de mais idade. Porque muitas outras coisas virão, pelo despertamento de educadores mais sintonizados ou porque inevitavelmente serão reclamadas pelos alunos.





