O ensino de inglês no Paraná
Recentemente a Folha publicou artigo a respeito do Programa de Capacitação para Professores de Língua Inglesa do Paraná, salientando os pontos positivos do projeto implantado em 2000 no Estado. Embora possa reconhecer inúmeros méritos na iniciativa ali descrita, meu envolvimento com o referido projeto, desde sua concepção, não me permite emudecer diante de informações equivocadas apresentadas, e posteriormente disseminadas aos professores, por mala direta.
Para que se possa avaliar com discernimento o que realmente envolve a iniciativa da Secretaria de Educação do Estado (SEED), apresento informações adicionais. Primeiramente, o teste aplicado aos professores não é o CEELT, e sim uma versão especialmente elaborada pela Universidade de Cambridge, e cuja aplicação inicial testava apenas as habilidades de leitura e compreensão oral. É nesse contexto que devem ser interpretados os dados sobre os patamares que levaram a SEED a elaborar um programa com sólido conteúdo, e cujas bases já estavam delineadas antes mesmo da aplicação dos testes.
Aliás, os resultados não foram surpreendentes: os professores de inglês no Paraná não tinham oportunidades de atualização há muito tempo. Sendo o domínio da língua estrangeira uma habilidade que deve ser exercitada continuamente, não seria de se esperar que professores formados há mais de 10 anos e sem oportunidades de formação continuada exibissem um desempenho diferente.
Não obstante a reivindicação dos professores ser para cursos voltados para a proficiência oral e apesar de haver uma rede de universidades paranaenses capazes de ministrar cursos nessa modalidade, a principal iniciativa foi um curso de aperfeiçoamento, com material didático da Open University (...) O curso é a primeira experiência em educação a distância na área de língua inglesa para professores em todo o Brasil.
Na verdade, já existiam outros programas no País: a PUCSP, em parceria com a Cultura Inglesa de São Paulo, vinha ministrando curso para professores de inglês a distância (www.edulang.pro.br) e em Minas havia proposta semelhante (www.ufmg.br/ead/ingrede). A suspeita da falta de qualidade de nossas universidades é apenas velada na justificativa de que a universidade britânica é a maior e mais renomada instituição de ensino a distância da Inglaterra.
Apesar do principal material do curso estar voltado para o aperfeiçoamento metodológico do professor e o teste não avaliar esse tipo de conhecimento, houve sensível melhoria na proficiência desses professores, conforme medida estabelecida no pós-teste. Novamente, é este o parâmetro a ser levado em conta ao analisar os resultados. A inferência que é feita a seguir é no mínimo questionável: Isto significa, na prática, que esses professores estão agora dando aulas com mais metodologia e mais conteúdo.
Ora, não se conhece nenhum trabalho de pesquisa que permita fazer esse tipo de relação. Isto é mais a expressão de uma vontade do que de resultados concretos, assim como a afirmação de que os professores aprenderam a ser autodidatas, entendendo que podem continuar aprendendo sem necessidade de aulas presenciais. E onde estarão os recursos para que continuem aprendendo?
O envolvimento do projeto NAP da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ocorreu apenas no primeiro ano. É inexato afirmar que os sete NAPs, contratados pelo Conselho Britânico, que é o parceiro da SEED na execução do programa, estejam envolvidos em 2001. Foi exatamente a avaliação dos erros e acertos do programa que nos levou a não dar continuidade à nossa participação como provedores de serviços, embora os resultados dos professores que passaram por nossas mãos tenham sido excelentes: dos 51 professores que concluíram o curso da Open University, 70% aumentaram sua pontuação. Dos 69 que concluíram o curso de proficiência, 61 foram pós-testados, e desses, cerca de 85% apresentaram resultado superior ao do pré-teste. Nossa atuação no passado e nossa preocupação com o futuro do professor de inglês da rede pública nos conclamam a avaliar custos e benefícios do programa e repensar nossas ações para promover a melhoria do ensino de inglês em nosso Estado.
Ainda é muito cedo para falar em sucesso ou insucesso. Uma avaliação mais ponderada deveria advir não apenas de resultados de testes, mas das práticas de sala de aula, da aprendizagem dos alunos, e principalmente, da relação custo/benefício de cada uma dessas iniciativas, para além dos elogios apressados. É esta informação que se espera seja divulgada para a população.
- TELMA GIMENEZ é professora universitária em Londrina





