O enigma da presença dos EUA no Paraguai
Embora poucos estejam se dando conta, são muito mais preocupantes do que se supõe os sinais de que os Estados Unidos desejam, mesmo, instalar uma base militar permanente no Paraguai o que causa apreensão especialmente no Brasil, país limítrofe e líder da América Latina, pelo conceito dos próprios estrategistas da grande nação do Norte. O chanceler Celso Amorim, não podendo naturalmente pronunciar-se com mais veemência por razões de ordem diplomática e de soberania do vizinho país, declarou como desnecessária a presença americana nesse ponto da América do Sul. Tal pronunciamento ocorreu logo após o vice-presidente do Paraguai, Luís Castiglioni, haver declarado que seu país estava interessado em ''oferecer colaboração ao presidente George Bush na área de segurança regional'', em troca de ''um acordo de livre comércio com os EUA''. A soberania paraguaia, no entanto, tropeça em algumas obrigações com os demais sócios do Mercosul, e no mínimo esse projeto de ceder a região do Chaco para os propósitos estratégicos norte-americanos mereceria uma consulta aos parceiros. Ademais, a própria intenção de celebrar um acordo comercial parcial é incompatível com o estatuto do bloco. Os líderes da oposição, no Paraguai, já se manifestam preocupados com a presença americana instalada em domínio paraguaio, pelos perigos que isso irá representar. As tropas já estão chegando, e o presidente Nicanor Frutos Duarte diz que se trata apenas de ''exercícios militares conjuntos''. Os temores são de que os Estados Unidos visem intervenções na zona de conflito social na Bolívia, na tríplice fronteira, e acesso ao aquífero Guarani uma das maiores reservas de água potável do mundo. Mas uma mira importante poderá ser o controle da Amazônia, cuja mais ampla extensão situa-se em território brasileiro. Já impera uma desconfiança geral no Cone Sul em face da presença dessas tropas, que ocorre graças a acordo que os EUA celebraram com o Governo do Paraguai após aprovação do Congresso para exercícios militares até o final do ano que vem. No local das manobras já existe um aeroporto, dotado de radares e outras modernidades o maior do Paraguai, com pista de 3.500 metros construído em 1983 pelos Estados Unidos com o fim anunciado de combater o narcotráfico e o terrorismo. Sabe-se que os norte-americanos não investiriam num caríssimo treinamento, em país estrangeiro fala-se na vinda de 17 mil homens, para tais exercícios se não tivessem algum objetivo estratégico. Num país onde, nas escolas primárias, o mapa do Brasil figura sem o território amazônico com o fim óbvio de ir educando os futuros cidadãos americanos para o entendimento de que se trata de uma área à parte, supostamente de domínio internacional (entenda-se eles próprios) tudo de pior se pode esperar.





