O fato ao qual se deve atentar (e que está sendo passado ao público como uma vantagem) não é as novas rodovias a serem pedagiadas terem tarifas mais baixas, e sim a continuidade do modelo implantado. Porque o sistema de pedágio imposto no Brasil é bitributação, já que existem verbas específicas destinadas às estradas, e elas saem do bolso dos cidadãos. Tirar-lhes mais dinheiro em forma de pedágio é um ônus adicional, que libera o Governo de grande parte de sua obrigação de construir e conservar rodovias e a transfere para o contribuinte, em forma da nova cobrança, feita à vista nas cancelas do pedágio e sem alternativa para o motorista. A anunciada redução de 15% a 30% nas tarifas, nos sete novos lotes a serem entregues a concessionárias – dois dos quais transpondo território paranaense – é um modo de seduzir o usuário das rodovias, porque este é um encargo novo que ele não deveria ter. O edital de licitação entrará em consulta pública a partir de segunda-feira, no site da Agência Nacional de Transportes Terrestres, e também em audiências públicas em São Paulo e em Brasília, mas tal não valida o sistema, que continua sendo uma cobrança dupla para um mesmo fim. Porque toda a receita auferida pelos impostos destinados ao programa rodoviário ja é suficiente, não se sabendo porque as estradas sempre estiveram abandonadas, no Brasil. A operação tapa-buracos que ora se realiza, com finalidade eleitoreira, é a comprovação de que dinheiro existe, só faltando destiná-lo ao fim a que se destina. O oportunismo do momento está demonstrando que quando é conveniente, os recursos aparecem. Apregoar a baixa de até 30% na tarifas é uma forma de desviar a atenção do povo, porque o foco central deveria ser o robustecimento da sangria, com mais pedágio. Ademais, esse desconto, em relação a uma tarifa altíssima, não é nenhum presente. Seria como de alguém que, primeiro, lhe desfere uma profunda punhalada e depois diz que vai aliviá-lo aplicando-lhe um segundo golpe, porém 30% menos profundo. A estimativa é que as sete novas concessões tirarão do bolso dos usuários, nos 25 anos de contrato, 40 bilhões de reais. A opinião pública mais esclarecida e atenta não deve estar se iludindo com o canto da sereia que seduz com o aceno da tarifa mais baixa. Porque o mal maior já reside no bode que o Governo colocou no banco dianteiro de cada veículo, e agora acena que o passará para o banco de trás, de forma a diminuir o incômodo.

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