O empate se torna vitória
A expectativa dos comerciantes com relação às vendas para o Dia das Crianças, conforme indicam gerentes entrevistados em Londrina para a reportagem publicada hoje no Caderno Folha Economia, é comedida. Tímida, mais precisamente. Para as empresas, o desempenho deverá ser o mesmo do ano passado. Se for, estará de bom tamanho.
Num país castigado pela fragilidade da política cambial, o cenário exige que a postura dos empresários seja sempre cuidadosa. Afinal, quem pode dizer qual será a cotação do dólar hoje, na segunda-feira ou no último dia útil deste ano? Ou ainda em julho de 2003?
De um mês para o outro, os custos de uma empresa podem saltar por conta da alta do dólar. Mas ela não pode repassar esse aumento para os preços, porque afastaria os compradores.
E não se trata apenas de política cambial. Há incertezas ameaçadoras também em outros campos vitais da economia do País que vão da carga tributária às tarifas públicas. São variáveis que tornam quase impossível a tarefa das empresas de administrar com planejamento, regra elementar para o sucesso e a sobrevivência em mercados cada dia mais competitivos.
Essa realidade mostra que, embora o País tenha conseguido conter a inflação, ainda falta uma política econômica consistente e sólida, dentro da qual os cidadãos, as empresas e as instituições saibam que caminho podem seguir e onde estarão amanhã ou daqui a dois anos. Os obstáculos ou desafios se tornam superáveis quando se pode ao menos enxergá-los.
Roberto Francisco





