O elogio ao soldado exemplar
Bom que se tenha notícia de que policiais desempenhem com presteza, habilidade e eficiência, a sua função, como o fato presenciado por uma cidadã e relatado em carta publicada ontem neste jornal. É sempre melhor ter referências elogiosas a um servidor público do que denúncias, e tornar públicos esses fatos incentiva a todos quantos ocupam atividades idênticas. Mas é lamentável que, no Brasil, fato como esse tenha de ser exaltado, quando deveria ser coisa comum. O caso citado é a ação de socorro e de maestria de um policial, porém algo que ainda figura entre as exceções. O setor de segurança pública é o que tem recebido mais críticas, porque afeta diretamente os cidadãos e tem a ver com a defesa de sua integridade física. E porque este é um setor em que são frequentes as acusações por envolvimento com truculência e corrupção.
É obrigação de qualquer profissional, público ou privado, desempenhar com a máxima dedicação a incumbência que lhe compete, ou melhor será que a abandone e permita que outro com mais boa vontade e responsabilidade assuma o seu lugar. O mesmo deve ocorrer com o agente do serviço público, mesmo que seu salário não seja satisfatório. Um baixo ganho não invalida a obrigação, de cada um, de exercer com dedicação a tarefa que lhe cabe. Porém se sabe que, com melhor renda pelo seu trabalho, qualquer servidor se sente mais motivado e atende melhor. Motivação é um dos fundamentos de qualquer sistema de trabalho, em todos os níveis de atividade, e bom salário figura como forte componente. Sabe-se que o policial não é bem remunerado, embora a função de constante risco que exerce, e isso remete a repensar a situação de sua classe.
Se os problemas sociais não serão resolvidos pelo robustecimento da força policial, certo é que a presença do agente de segurança inibe a intensidade das ações criminosas e oferece maior margem de proteção aos cidadãos. ''Apenas cumpri meu dever'' declarou o policial motivo da carta, ao ser aplaudido pelos circunstantes. É esse o dever que se reclama dos atendentes da esfera oficial, aí incluído o funcionário de qualquer repartição pública. Porém é também dever do Estado que significa a sociedade representada dar proteção, na forma de adequado equipamento e de um bom soldo, a agentes com função ostensiva e arriscada como a do policial.





