O elixir da energia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de abril de 2003
João Jacob Buchala 
O futuro do petróleo é algo preocupante. Estamos acompanhando uma guerra em que os poços petrolíferos valem o sangue de muitos. De um lado a imponência bélica e econômica dos Estados Unidos e seus aliados, e do outro, o segundo maior produtor de petróleo do mundo, o Iraque. Sem dúvida, são os últimos suspiros de uma economia que já dura mais de 130 anos, onde, além de guerras e falcatruas, herdamos um grave problema ambiental.
O hidrogênio é uma ''tecnologia verde''. Une ciência e desenvolvimento humano com sustentação ambiental. No século XVIII, o cientista britânico Henry Caverndish descreveu uma experiência em que produziu água combinando oxigênio e hidrogênio, com o auxílio de uma centelha elétrica. Anos depois, um jovem de vinte anos de idade, John Sanderson Haldane, proferiu uma palestra em Cambridge prognosticando que o hidrogênio seria o combustível do futuro. Dedicou-se, após isso, a pesquisar com exclusividade o assunto.
Interessante apontar que o hidrogênio foi usado como combustível na aviação nos anos 30. Foi o combustível auxiliar nos dirigíveis Zeppelin. Por volta da década de 40, o hidrogênio já era estudado na área automotiva. Foram as grandes empresas de petróleo que impuseram barreiras. Dificultaram a difusão do assunto. Durante a crise da década de 70, porém, vários países e empresas investiram pesado na tecnologia chamada ''células de hidrogênio''.
Com a diminuição da crise do petróleo o interesse e as verbas destinadas a soluções alternativas decresceram acentuadamente. Os bilhões tornaram-se milhões. Foi a perspectiva de um aquecimento global decorrente de alarmantes emissões de dióxido de carbono que reacendeu o estudo do hidrogênio. Confirmou-se sua eficácia como meio para uma rápida conversão da situação de descontrole ambiental em que o mundo se encontra. Afinal, a célula de hidrogênio produz água como subproduto. Por essas e por outras, soma-se a tais conclusões a notícia de que em 2050 haverá uma escassez de combustíveis fósseis.
O hidrogênio é o elemento químico mais abundante na natureza. É uma fonte de energia realmente eterna. Não há como fugir da realidade do petróleo ser uma fonte não-renovável. Não durará para sempre. Os príncipes sauditas costumam dizer: ''Meu pai andava a camelo, eu dirijo um carro, meu filho pilota um jato e o filho dele andará a camelo''. Se eles, donos da maior reserva do mundo, dizem isso de forma proverbial, realmente não restam opções senão a pesquisa e o desenvolvimento de novas alternativas.
A General Motors já apresentou seu protótipo comercial de um carro movido a célula de hidrogênio. Este modelo demanda muito menos componentes que os veículos a combustão interna. Isto fará os carros a hidrogênio mais baratos e seguros. Outra vantagem: a energia armazenada na célula de hidrogênio poderá ser uma fonte de alimentação para uma casa inteira. O carro passa a atuar como uma usina de energia elétrica integrando-se ao ambiente doméstico. Será a era da energia a hidrogênio.
A expectativa maior aponta para um mundo socialmente transformado com esperanças de paz e equilíbrio ambiental. Talvez seja a melhor forma de se encerrar o epílogo sangrento da história do ouro negro, o petróleo. Mesmo isso, porém, dependerá de nossa escolha.
JOÃO JACOB BUCHALA é estudante do segundo grau em Londrina


