Pela conta da Secretaria Estadual dos Transportes, as concessionárias do pedágio ainda contabilizam um superávit de R$ 380 milhões, depois de descontados os anunciados R$ 170 milhões de prejuízo que elas alegam em face das ações movidas pelo Governo. Só nos quatro dias de isenção imposta por lei estadual - mas imediatamente derrubada pela Justiça - teriam deixado de entrar R$ 443 mil. Segundo o número oficial, as empresas conveniadas já arrecadaram, a mais, R$ 550 milhões, o que resultou naquele fabuloso saldo positivo. O Poder Judiciário deverá levar em conta os valores apresentados, porque excesso de lucro não está previsto nos contratos.
A população, pelo que se extrai das opiniões ouvidas, não acredita em perdas da parte das concessionárias, porque grandes obras não são realizadas em quase dez anos de coleta, e os gastos com manutenção e pessoal são relativamente baixos no confronto com o enorme volume arrecadado. O diretor regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias, João Chiminazzo, é capaz de fazer a cabeça de uma estátua pelas suas declarações, e agora afirma que ''o prejuízo causado às empresas'' nos quatro dias em que vigorou a lei que isentou do pedágio motoristas de 28 municípios ''vai entrar no cálculo do reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão''. E reclama que as empresas ''terão de ser ressarcidas''.
É uma conta que ''nós, paranaenses'' - como ele afirma - vamos ter de pagar, mas o fato de ele ''misturar-se'' às multidões e converter-se estrategicamente em usuário não deve comover ninguém. Já o secretário Rogério Tizzot declara que deveria, isto sim, haver um reequilíbrio em favor dos motoristas usuários, face à superlativa arrecadação, a maior, dos R$ 550 milhões anunciados. Essa divergência numérica dá ensejo a instalar-se uma auditoria, para se saber onde está a verdade. A população já faz gracejo ante a choradeira constante das concessionárias, e acredita tanto em seus ''prejuízos'' quanto crê que os políticos denunciados por corrupção são santos homens, e que o PT é o mais sério dos partidos. Esta última, uma afirmação de agora do presidente Lula e que, naturalmente, vira chacota na boca do povo.
Quando o modelo de pedágio que aí está foi implantado pelo governador Jaime Lerner, este Jornal foi o primeiro a declarar que viriam grandes transtornos pela frente. Na época, nem a Assembléia Legislativa preocupou-se em avaliar o que o Governo estava fazendo. Os resultados aí estão: uma bitributação sobre os motoristas - o que foi considerado, na ocasião, inconstitucional por vários jurisconsultos - e poucos resultados positivos em benefício do usuário, a não ser as obras de manutenção, algumas passarelas instaladas, trechos curtíssimos de duplicação e um calvário que ainda vem pela frente, porque faltam 14 anos para se vencerem os contratos do triste legado que o Governo Lerner deixou aos paranaenses.

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