O elevado custo social da corrupção
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de outubro de 2006
A incerteza se instala e empresas hesitam em investir, gerando reação de nega 
A corrupção no Brasil converteu-se em pesado imposto, porque o custo disto acaba embutido nos serviços públicos, e é o povo que paga. A par desse ônus, a incerteza aumenta e as empresas temem investir, dessa forma diminuindo o ritmo da economia e deixando de gerar empregos. Na extensão, também o Governo - grande reduto da corrupção - acaba prejudicado, porque cai o volume da arrecadação. É uma reação em cadeia ao contrário, que causa males sem conta e prejudica a todos. Cálculos da Fundação Getúlio Vargas e do Banco Mundial demonstram que o Brasil perde diretamente 3 bilhões e meio de dólares por ano em queda de produtividade, por causa das fraudes públicas. Soma-se a essa praga que infesta o Governo a péssima qualidade das leis e da governabilidade, o que afeta o ambiente dos negócios. Os números da FGV comparam, como um dos casos, a destinação de R$ 5,3 bilhões para obras de infra-estrutura dos transportes contra uma perda de produtividade, no setor, de R$ 7,5 bilhões. A Fundação cita outros dois casos - o superfaturamento das obras do Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo, e o escândalo recente dos sanguessugas, que causaram um prejuízo à nação de mais de R$ 300 milhões, dinheiro suficiente para construir 200 mil casas populares e abrigar 800 mil pessoas. A corrupção é corrosiva e desvia dinheiro que poderia ser investido em infra-estrutura. Como consequência o sistema público perde credibilidade e os potenciais investidores - nacionais e estrangeiros - recuam, por não encontrarem segurança num país de políticos bandoleiros e cujo presidente da República mostra-se alheio e declara nada saber. No índice de competitividade global o Brasil vem perdendo pontos para Rússia, Índia e China. O alastramento dos casos de corrupção gera efeitos graves na competição brasileira junto aos mercados. Com isto a economia estanca, cai o emprego e a renda, e piora o bem-estar da população. Mas o Governo sediado no Palácio do Planalto prefere culpar as ''forças ocultas'' que - segundo o presidente Lula - ''conspiram para nada dar certo'', um discurso sem a menor consistência e que não tem outro nome senão paranóia e incompetência. A propaganda governamental fala de crescimento do emprego e em melhoria de vida da população, mas o que acontece é apenas o assistencialismo da Bolsa Família, um paliativo que beneficia a muitos mas transformou-se num angariador de votos, de eficiente resultado eleitoral. Instituições como a Fundação Getúlio Vargas, o Banco Mundial, a organização não-governamental Transparência Brasil e titulares da Universidade Federal do Rio de Janeiro não devem estar erradas ao apresentar tal realidade, e certamente estas não são forças que desejam desestabilizar o governo mas mostram o que os governantes instalados no altiplano brasiliense não conseguem enxergar.
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