A cultura é uma produção coletiva, mas infelizmente na sociedade como a nossa, dividida em classes, seu controle e, fundamentalmente, seus benefícios não pertencem a todos. Vivemos numa sociedade individualista, marcada pelas desigualdades profundas, e é preciso lutar pela universalização dos benefícios da cultura, modificando esta injusta situação.
A eleição de Roberto Requião para o governo do Estado devolve aos trabalhadores da área cultural e à população do Paraná a possibilidade de transformar a realidade. Toda a atuação do Poder Executivo na área da cultura deveria acontecer de forma transparente e aberta, o que infelizmente não aconteceu no atual governo.
De que adianta termos um espaço arquitetônico gigantesco, luxuoso e caro (mais de 50 milhões somente o projeto), para o NovoMuseu que será inaugurado hoje em Curitiba se o interior do Estado carece de estrutura para sua produção cultural? É a clara demonstração da falta de comprometimento com o bem comum e zelo com as finanças públicas, pois além do desperdício de recursos, sua funcionalidade não está condizente com 30 mil metros quadrados de área construída para abrigar uma instituição museológica dentro dos moldes internacionais.
Este NovoMuseu, que é chamado pela classe cultural do Estado de ''Elefante Branco'', é o exemplo de uma globalização que busca colher para poucos os frutos doces e saborosos dos recursos públicos, enquanto a população herdará uma paisagem árida e devastada. É a privatização da cultura realizada sob o enfoque da exclusão do cidadão e dos artistas paranaenses.
É preciso definir se o NovoMuseu passa a integrar as ações da Secretaria do Estado da Cultura (SEEC) já que hoje, no papel, tem vínculos com o Programa de Fomento à Cultura do BID e está ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos. Criar-se um Conselho Curador que determinará as ações do museu com a efetiva participação do Corem (Conselho Regional de Museologia), contando com técnicos, profissionais e agentes culturais de cada canto do Paraná.
O terceiro setor pode ser um importante parceiro do Estado, mas a proposta de criação das Organizações Sociais de Interesse Público (OSCIP) para assumir a gestão de espaços públicos já construídos, nada mais é do que uma dissimulação de implantação do processo de privatização da cultura. É o Estado lavando suas mãos diante de suas obrigações. O que nós queremos é resgatar a responsabilidade política e social que a Secretaria de Estado da Cultura tem para com o processo de produção de políticas públicas de cultura.
Não é a SEEC somente que produz cultura, mas é ela quem deve fornecer toda a estrutura para que a produção cultural do Estado se desenvolva observando o princípio da igualdade, ou seja, para todos os paranaenses..
Exatamente por isso é que neste sábado estaremos reunidos em Guarapuava, para o 12º Fórum Permanente de Cultura do Paraná, contando com a presença de intelectuais, artistas, técnicos, museólogos e agentes culturais de todo o Estado para a elaboração de um documento contendo nossas preocupações a serem encaminhadas ao novo governo.
CLÁUDIO RIBEIRO é compositor, jornalista, advogado, funcionário da SEEC-PR, coordenador do Fórum Permanente de Cultura do Paraná e membro da Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural

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