O educador e a criança no limiar do século
O educador e
a criança no
limiar do século
Sebastião Ferreira Macedo
Como diretor de Associação de Pais e Mestres (APM) participei, em Porecatu, no último dia 16, do 1º Encontro Regional sobre O Educador e o Estatuto da Criança e do Adolescente no Limiar do Século - Desafios e Perspectivas. As palestras procuraram levar a uma reflexão sobre os equívocos e inversões nascidos do desconhecimento da profundidade e aplicabilidade do Estatuto da Criança e do Adolescente, como ferramenta que precisa ser estudada e divulgada para que haja um real aproveitamento das oportunidades em termos de harmonização entre a ação do educador e a educação para a vida.
Como equívoco, foi citada a crença negativista e a rejeição do Estatuto da Criança e do Adolescente, em vez de aproveitá-lo como uma ferramenta na evolução da questão. A não-validação desse instituto limita os envolvidos na criatividade e tolhendo-lhes a visão, impede-os de ir além do estatuto. Como inversão, há a substituição da família e da Igreja pelos meios de comunicação de massa e da escola na formação do cidadão. Tal fato leva o Poder Público a buscar novas formas de, auxiliando as famílias, contribuir para a formação dos cidadãos.
Ao encarar este desafio, a escola pública, já detentora de dificuldades para enfrentar os atuais problemas em informar os alunos, faz ecoar um grito de socorro, quando se lhe apresenta mais essa responsabilidade, principalmente diante da crise de autoridade e credibilidade por que passam as instituições.
Como não houve um aparelhamento do Poder Público para acompanhamento do Estatuto da Criança e do Adolescente e voltando à responsabilidade primordial da família em relação ao assunto, há necessidade de uma readequação da escola, com a participação efetiva da comunidade na discussão e na realização dos anseios da sociedade, incluindo a admissão de que os valores espirituais, através da orientação religiosa, são fator imprescindível sob essa ótica.
Assim, os desafios se voltam para a ampliação da visão e a reavaliação das responsabilidades diante dos novos modelos familiares e de políticas integradas, onde as famílias e, não apenas as crianças, são objetos de educação, através de uma abordagem construtivista. Sob este aspecto, necessário se faz a restauração da solidariedade e, através da atuação do voluntariado, apoiar, orientar e promover a educação para as famílias.
No entanto, enquanto se caminha para essa readequação da escola para a formação do cidadão, como agente transformador da sua realidade, e por consequência da sociedade, o educador não pode se furtar de ensinar a coerência, através da prática do seu discurso em sala e na vida.
Também, não se justifica a acomodação do educador em, diante das dificuldades e achando que todos sabem onde está a razão ou solução para estes problemas levando em consideração o seu próprio preparo deixar de motivar as crianças e adolescentes para a construção de uma vida melhor.
Uma das máximas que têm sido divulgadas atualmente é a de que alguma coisa só irá melhorar se fizermos algo melhor do que temos feito até agora. Se continuarmos do mesmo jeito, a tendência é piorar. O educador tem a oportunidade e a responsabilidade na formação da nação, em qualquer que seja a sua área de atividade.
Por isso, como participante do referido evento, nascido da sensibilidade de educadores e devido à dimensão alcançada, tenho certeza de que o mesmo não será apenas é vento, mas precursor de outros da mesma natureza, ou seja, educativo e de compartilhamento de responsabilidades com a comunidade em relação à educação da família. O desafio é uma família para cada criança e a perspectiva só depende da solidariedade de cada família. Aos educadores cabe a responsabilidade do desafio próprio e do educando.
- SEBASTIÃO FERREIRA MACEDO é diretor de Associação de Pais e Mestres de colégio em Londrina





